A pecuarista Inês Gemilaki, o filho dela, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, e o cunhado, Éder Gonçalves Rodrigues, foram condenados a pagar R$ 267,9 mil ao empresário Erneci Afonso Lavall pelos danos causados durante o ataque à residência da vítima, em abril de 2024, em Peixoto de Azevedo. A sentença foi assinada pelo juiz João Zibordi Lara, da 2ª Vara do município, e publicada nesta quinta-feira (9).
Do valor total, R$ 27,9 mil correspondem a danos materiais e R$ 240 mil a danos morais.
Na ação, Erneci relatou que os três invadiram sua casa durante uma confraternização familiar e efetuaram diversos disparos de arma de fogo. O empresário era apontado como o principal alvo do ataque.
A invasão terminou com a morte de Pilson Pereira da Silva, de 65 anos, e Rui Luiz Bogo, de 57 anos. Também ficaram feridos o padre José Roberto Domingos, atingido por um tiro na mão, e o próprio Erneci.
Ao analisar o processo, o magistrado rejeitou o argumento da defesa de que seria necessário aguardar o julgamento da ação penal antes de decidir sobre a indenização. Segundo ele, a responsabilidade civil é independente da criminal e as provas reunidas no processo são suficientes para comprovar os danos.
Na sentença, o juiz reconheceu como prejuízos materiais despesas com a substituição de vidros e portas, reforma de sofá, instalação de novas cortinas e serviços de pintura na residência, totalizando R$ 27,9 mil.
“A prova documental e testemunhal forma cadeia coerente e suficiente: os presentes descreveram os danos, os profissionais confirmaram a execução dos reparos e os comprovantes demonstraram os valores despendidos”, destacou o magistrado.
Ao fixar a indenização por danos morais, João Zibordi Lara afirmou que o episódio extrapolou qualquer situação de mero aborrecimento diante da extrema violência empregada.
“O autor teve seu lar transformado em cenário de violência extrema. O ataque ocorreu durante confraternização familiar, em ambiente doméstico, perante amigos e familiares, com disparos de arma de fogo, mortes de terceiros, ferimento de pessoa presente e danos físicos ao imóvel”, registrou.
Em outro trecho da decisão, o juiz ressaltou o impacto psicológico sofrido pelo empresário.
“A intensidade do sofrimento experimentado pelo autor é excepcional. Não se trata de simples susto, constrangimento ou insegurança abstrata. O requerente teve sua residência invadida por pessoas armadas, presenciou disparos, mortes, destruição e passou a conviver com medo dentro do próprio ambiente doméstico.”
O caso
O ataque ocorreu em abril de 2024, durante uma confraternização na residência de Erneci Afonso Lavall, em Peixoto de Azevedo. Segundo a investigação, Inês Gemilaki, Bruno Gemilaki Dal Poz e Éder Gonçalves Rodrigues invadiram o imóvel armados e efetuaram diversos disparos.
Duas pessoas morreram no local e outras duas ficaram feridas. Os três acusados foram presos preventivamente e aguardam julgamento pelo Tribunal do Júri.
A sentença na esfera cível ainda cabe recurso.
