quinta-feira, 9 de julho de 2026
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CÂMARA DE CUIABÁ

Vacilo da base de Abilio abre brecha para CPI do Assédio Sexual na Câmara

Pedido de desarquivamento protocolado por Maria Avallone chegou antes da nova CPI da Educação e será analisado pelo Colégio de Líderes da Câmara

Um atraso da base governista na Câmara de Cuiabá abriu espaço para que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Assédio Sexual, proposta pela vereadora Maria Avallone (PSDB), volte ao centro das discussões do Legislativo. A comissão tem como objetivo investigar as denúncias de assédio sexual envolvendo o ex-chefe de gabinete do prefeito Abilio Brunini (PL), William Leite de Campos.

A movimentação ocorreu logo após o encerramento da CPI que investigava a aplicação de recursos da Secretaria Municipal de Educação referentes aos anos de 2023 e 2024. Às 16h58 de quarta-feira (8), Maria Avallone protocolou o pedido de desarquivamento da CPI do Assédio Sexual. Horas depois, às 20h, o vice-líder do prefeito, vereador Demilson Nogueira (PP), apresentou uma nova proposta de CPI para apurar supostas irregularidades na compra de materiais didáticos, livros e insumos pedagógicos pela atual gestão da Secretaria Municipal de Educação. Segundo o documento, o requerimento só alcançou a nona assinatura necessária após as 21h.

Durante a sessão desta quinta-feira (9), a primeira-secretária da Câmara, vereadora Maysa Leão (Republicanos), comunicou a leitura do pedido de desarquivamento da CPI do Assédio Sexual. Em seguida, a presidente da Casa, vereadora Paula Calil (PL), informou que a CPI da Educação foi oficialmente encerrada sem solicitação de prorrogação, abrindo uma vaga para a instalação de uma nova comissão de investigação.

Apesar disso, Paula Calil afirmou que a definição sobre o desarquivamento da CPI será debatida na próxima segunda-feira (13), durante reunião do Colégio de Líderes. Somente após essa discussão o caso será encaminhado à Procuradoria Jurídica da Câmara, que emitirá parecer sobre a viabilidade da instalação da comissão.

A situação lembra um episódio anterior envolvendo pedidos de CPI para investigar a aquisição de livros didáticos durante a atual gestão. Na ocasião, requerimentos apresentados por Demilson Nogueira e Maysa Leão foram inicialmente arquivados pelo setor jurídico da Câmara, mas posteriormente acabaram sendo desarquivados, criando um precedente que agora pode favorecer a proposta de Maria Avallone.

O caso ganhou repercussão em fevereiro deste ano, quando uma ex-servidora da Secretaria Municipal de Trabalho registrou boletim de ocorrência acusando William Leite de Campos de assédio sexual. Segundo o relato, ela foi convidada para integrar a administração municipal e passou a trabalhar diretamente subordinada ao então secretário.

Conforme o boletim de ocorrência, o comportamento do superior teria se tornado inadequado desde os primeiros dias de trabalho, com insistência em conversas, contatos físicos frequentes e convites para permanecerem sozinhos. A servidora também afirma que era orientada a impedir a entrada de outras pessoas em sua sala e evitar contato com colegas, situação que, segundo ela, contribuiu para seu isolamento no ambiente de trabalho.

O documento ainda relata um episódio em que, após pedir ajuda para realizar uma transferência bancária, o então secretário teria enviado um valor superior ao combinado, orientando-a a utilizar o excedente para despesas determinadas por ele. A transferência teria sido feita a partir da conta de uma empresa de comunicação e publicidade.

A ex-servidora também narra que foi repreendida de forma agressiva após o suposto desaparecimento de um pen drive, posteriormente encontrado na residência de William Leite. Segundo o boletim, colegas ainda faziam comentários de que as servidoras nomeadas só ocupavam os cargos por serem “bonitas”, situação que ela afirma ter causado constrangimento.

Ainda conforme o registro policial, a vítima procurou o secretário de Governo, Ananias Filho, que teria autorizado sua transferência para outro setor. Antes que a mudança fosse efetivada, porém, ela afirma que William Leite tentou beijá-la à força. O episódio motivou seu pedido de exoneração. A denunciante afirma que só decidiu formalizar a denúncia meses depois ao tomar conhecimento de relatos semelhantes envolvendo outras mulheres.

Após a divulgação das acusações e do pedido de criação da CPI, William Leite pediu exoneração do cargo que ocupava na administração municipal. Até o momento, a denúncia ainda não foi objeto de investigação por comissão parlamentar na Câmara de Cuiabá.

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