quarta-feira, 8 de julho de 2026
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GUERRA POLÍTICA

Abílio ironiza “pai da obra” e promete disputar controle do Mercado Municipal

Prefeito condiciona inauguração do Mercado Municipal à emissão do Habite-se, critica o ex-prefeito e promete recorrer à Justiça para retomar o empreendimento

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, afirmou que o novo Mercado Municipal Miguel Sutil não será inaugurado enquanto a obra não obtiver o Habite-se, documento que atesta a conclusão da construção e autoriza a ocupação do imóvel. A declaração foi dada ao comentar a expectativa pela entrega do empreendimento e a disputa política envolvendo a autoria da obra.

“Primeiro, a obra precisa ter Habite-se. Não tem inauguração sem Habite-se. Ela não está concluída e não tem o documento. Então, a gente tem que aguardar toda a comprovação documental para a gente poder emiti-lo”, afirmou.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de participar da inauguração e sobre a frase de que “um pai não pode faltar ao nascimento do filho”, em referência ao ex-prefeito Emanuel Pinheiro, responsável por idealizar o projeto, Abílio ironizou a comparação e criticou a gestão anterior.

“O pai dessa obra é muito feio. Não se comportou muito bem”, disse.

O prefeito também atribuiu, em tom de sarcasmo, o avanço recente dos trabalhos às críticas que tem feito publicamente à execução da obra.

“Eu acho que sou o cara que mais acelera obra no município de Cuiabá. Porque, se eu estivesse pedindo para o cara fazer, ele ficava enrolando. Agora eu fico falando: ‘não faz essa obra’. Aí ele vai lá e faz. A psicologia reversa funciona perfeitamente. O cara acelerou a obra em 300% depois que eu falei que não queria que fizesse”, declarou.

Apesar de defender a conclusão do empreendimento, Abílio antecipou que a Prefeitura pretende recorrer à Justiça para retomar o controle do Mercado Municipal assim que a obra for finalizada e regularizada. Atualmente, o espaço está sob concessão da empresa CS Mobi.

“Parabéns, que termine a obra. Porque depois a gente vai entrar na Justiça para tomar essa obra para nós”, afirmou.

Questionado se comparecerá ao evento de inauguração, o prefeito voltou a provocar o antecessor.

“Cara, não sei. Se o ‘pai da obra’ vai estar lá, eu não tenho interesse de ir, não”, respondeu.

A disputa em torno do Mercado Municipal está ligada ao contrato de concessão do estacionamento rotativo da região central de Cuiabá, firmado durante a gestão de Emanuel Pinheiro. Como contrapartida pela exploração do serviço, a CS Mobi assumiu a responsabilidade de revitalizar o antigo mercado, que estava desativado.

Desde que assumiu a Prefeitura, Abílio Brunini tenta romper o contrato, alegando que o modelo da parceria público-privada prejudica comerciantes tradicionais do mercado. Segundo o prefeito, os valores previstos para locação dos novos boxes, estimados em até R$ 20 mil mensais, podem inviabilizar a permanência dos feirantes históricos no local.

A polêmica também chegou à Câmara Municipal de Cuiabá, onde foi instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a execução da concessão, os prazos da obra, a transparência do contrato e as cobranças previstas pela empresa responsável pelo empreendimento.

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