sábado, 13 de julho de 2024
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CBN + Checagem Eleição MT

É falso que vagões do VLT serão vendidos para sucata, ao contrário do que afirma candidato

Em nenhum momento houve qualquer menção do governo no sentido de vender as composições para tal finalidade

É falsa a declaração do candidato ao Governo do Estado, pastor Marcos Ritela (PTB), dando conta de que há uma tentativa de venda dos vagões do Veículo Leve sobre Trilho (VLT) para sucata. A declaração é vista como uma “alfinetada” ao atual governador e candidato à reeleição, Mauro Mendes (União Brasil).

Mendes decidiu pela mudança do VLT – projetado para a Copa do Mundo de 2014 e que até hoje não foi concluído – para o Ônibus de Trânsito Rápido (BRT, em inglês). Ele, inclusive, já assinou o contrato para o início das obras do novo modal em Cuiabá e Várzea Grande.

Quanto ao VLT, o governador entrou com uma ação na Justiça contra o consórcio responsável pela obra pedindo o ressarcimento de R$ 1,2 bilhão, valor atualizado do gasto, além da retirada de toda a estrutura, incluindo os vagões.

A decisão foi tomada após rescisão contratual com o consórcio, que está envolvido em suspeitas de corrupção e pagamento de propina para agentes públicos. Em nenhum momento o governo fez qualquer menção no sentido de vender as composições para sucata.

CBN Cuiabá integra o Programa Núcleos de Checagem Eleitoral, liderado pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), e apurou o conteúdo de desinformação.

Conteúdo investigado: Vídeo publicado pelo candidato ao Governo do Estado de Mato Grosso, pastor Marcos Ritela, em suas redes sociais. Veja abaixo:

Como investigamos: Buscamos informações junto ao Governo do Estado e ao Consórcio VLT Cuiabá e Várzea Grande.

Conclusão da CBN: Trata-se de uma desinformação a declaração do candidato Marcos Ritela de que “estão querendo vender” os vagões do VLT para sucata, induzindo os eleitores a acreditarem que as composições podem ser comercializadas a valores bem aquém do montante já investido.

A gravação é feita próxima ao local em que os vagões estão armazenados. Ritela diz que, caso seja eleito, irá concluir a obra do VLT.

“Há 10 anos está ali toda a estrutura praticamente pronta e agora estão querendo vender para sucata e acabar. Nós não vamos aceitar isso, tá muito fácil, só falta à mão de obra. Todo o equipamento está aqui e estão querendo voltar ao retrocesso. Isso é inadmissível, nós vamos concluir o VLT”, disse o candidato.

Os vagões estão armazenados em um terreno ao lado do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande. De acordo com o Governo do Estado, os vagões não pertencem ao Estado, mas sim, ao consórcio responsável pela obra. Ainda segundo o Executivo Estadual, o consórcio é o responsável pelo pagamento do aluguel do terreno e pela guarda dos veículos.

A tendência é que os vagões fiquem lá até que a Justiça tome uma decisão com relação a ação de ressarcimento que o Estado entrou contra o consórcio no valor de R$ 1,2 bilhão, montante atualizado do gasto do poder público na obra.

Na ação, o Governo ainda pede a retirada de toda a estrutura do VLT em Cuiabá e Várzea Grande, inclusive os vagões.

Em declarações recentes, o governador Mauro Mendes negou que estaria tentando vender os vagões. “Se eles [consórcio] quiserem vender, podem vender, e depositar o dinheiro em uma conta judicial. Mas não é o Governo do Estado que vai colocar uma pastinha de baixo do braço e sair por aí vendendo isso”, disse.

“Nós não vamos vender o que não é da nossa propriedade. Na ação nós dizemos: isso é de vocês, levem embora e devolvam o dinheiro do Estado de Mato Grosso”, acrescentou Mendes.

Já o Consórcio VLT disse, por meio de nota, que sempre esteve à disposição do Governo do Estado e das demais autoridades competentes para a construção de uma solução que permita a retomada e conclusão da implantação do VLT.

“O Consórcio VLT segue aguardando o entendimento do Judiciário sobre os motivos da não conclusão da implantação do modal”, diz a nota.

Mudança

A decisão de troca do VLT pelo BRT foi tomada pelo governo, após rescisão contratual com o consórcio, que está envolvido em suspeitas de corrupção e pagamento de propina para agentes públicos.

O esquema foi revelado pelo ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa, em sua delação premiada, e resultou na deflagração da Operação Descarrilho, em 2017, pela Polícia Federal (PF).

As obras do VLT, entretanto, já estavam paralisadas desde 2014.

A justificativa do Governo para a substituição é que o BRT trará melhor mobilidade urbana para os moradores de Cuiabá e Várzea Grande, com os demais ônibus podendo utilizar o novo corredor.

Outra vantagem, segundo o Governo, é que o BRT tem uma tarifa mais acessível em relação ao VLT e poderá ser expandido para outras regiões, a um custo menor do que a construção de novos trilhos.

A obra está orçada em R$ 480,5 milhões e prevê construções de 46 estações, de um terminal na região do Coxipó e outro no CPA, e a reconstrução do Terminal André Maggi, em Várzea Grande.

O projeto prevê ainda a construção de um viaduto para passagem do BRT na rotatória das avenidas Fernando Corrêa da Costa e Beira Rio, de uma nova ponte sobre o Rio Coxipó, a criação de um parque linear na Avenida do CPA, a requalificação do Largo do Rosário e demais adequações no trânsito.

O VLT

O VLT teria 22,2 km de extensão dividido em duas linhas.  A primeira linha seria implantada ligando o Centro Político Administrativo (CPA), em Cuiabá ao Aeroporto Internacional de Cuiabá, em Várzea Grande, já a segunda linha ligaria a Região do Coxipó ao Centro Sul, ambas em Cuiabá.

O custo total da obra estava estimado inicialmente em R$ 1,4 bilhão e R$ 1.066.132.266,32 foram repassados ao Consórcio VLT.

Por que investigamos: O Programa Núcleos de Checagem Eleitoral, liderado pela Abraji, apura conteúdos relativos às eleições em Mato Grosso e ao processo eleitoral que atinjam alto grau de viralização. O candidato ao Governo do Estado mente à população ao afirmar que existe uma intenção de venda dos vagões do VLT, o que não ocorre na prática.

Conteúdos falsos ou enganosos que envolvem o dia a dia do cidadão causam prejuízos ao processo democrático e atrapalham a decisão do eleitor, que deve ser tomada com base em informações verdadeiras.

Outros temas: A CBN já explicou também que é falso que Justiça Eleitoral encaminha e-mail notificando cancelamento de título

Clica AQUI e confira

A CBN explicou ainda que é enganoso que servidores de Mato Grosso ficaram quatro anos sem receber RGA

Clique AQUI e confira.

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