sábado, 13 de julho de 2024
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CBN + Checagem Eleição MT

Entenda por que as urnas eletrônicas não correm o risco de serem fraudadas

CBN conversou com o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-MT, Carlos Henrique Cândido

A desconfiança em relação à segurança das urnas eletrônicas cresce em todo ano eleitoral. Nesse período, é bem possível que você já tenha visto diversas campanhas na TV, no rádio, nas redes sociais dando conta de que o sistema eleitoral brasileiro é seguro. Ainda assim, pode ficar se questionando por que as urnas eletrônicas não correm risco de serem fraudadas. Pois bem.

A CBN Cuiabá, que integra o Programa Núcleos de Checagem Eleitoral, liderado pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), decidiu explicar como funcionam as urnas eletrônicas.

Como explicamos: Conversamos com o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Carlos Henrique Cândido.

Sistema Off-line

Segundo ele, é impossível invadir algo que não esteja conectado à internet, como é o caso das urnas eletrônicas.

“Primeiro que a urna é construída sem a parte física que permite que ela seja conectada na rede. Não é que ela fica desconectada. Não é possível conectá-la. Ela não tem a parte que deveria existir para conectar à rede”, disse.

“Imagina um computador construído na década de 80. Ele também não tinha conexão com a rede. A urna eletrônica segue esse formato. Não importa quem esteja na frente da urna, ele não consegue conectá-la. Não é possível invadir uma coisa que não esteja na rede”, emendou o secretário.

Dados criptografados

Muitos conteúdos de desinformação que surgem em relação à segurança das urnas eletrônicas dizem respeito a supostas invasões dos dados no momento em que os votos são transmitidos do local de votação para a Justiça Eleitoral.

Cândido explicou que a transmissão do voto é feita dentro de uma rede privativa em milissegundos.

“Terminada a votação, a pessoa responsável em transmitir o resultado, vai pegar uma mídia, parecida com um pen drive, onde estão os votos e outros dados da urna, e conectar a um equipamento especial da Justiça Eleitoral para fazer a transmissão. O tempo da transmissão é milissegundos”.

Fora isso, conforme o secretário, os dados são transmitidos de forma criptografadas.

“Quando a gente fala em uma invasão teria que ter alguém muito bom ao ponto de pegar isso em milissegundos, decifrar as criptografias, fazer uma modificação, e devolver sem que a gente percebesses. Nem em testes, chegamos perto disso”.

Testes públicos de segurança

Meses antes de cada eleição, especialistas em computação e instituições da área de tecnologia são chamados para tentar fraudar a urna eletrônica.

Segundo Cândido, até hoje, nenhum conseguiu ter acesso aos resultados do voto. As brechas eventualmente descobertas são corrigidas pela Justiça Eleitoral.

Urnas auditadas

Cândido frisou que qualquer eleitor pode pedir a auditoria de uma urna eletrônica, caso desconfie que teve o voto violado.

“Qualquer urna eletrônica pode ser auditada, mas é importante dizer que ao longo desses 26 anos, ela foi melhorada a tal nível que ficou realmente complexa a auditoria. Hoje a gente tem uma grande dificuldade de explicar as 90 camadas de segurança da urna para o eleitor comum”.

“Mas qualquer partido, instituição consegue ter essa certeza. A nossa grande dificuldade é passar essa certeza também para o eleitor”.

Voto impresso

O secretário afirmou que o sistema eleitoral precisa ser melhorado, mas para isso, é necessário um investimento alto.

Para ele, a proposta de voto impresso é muito “simplista”. “Acreditam que basta imprimir que estará tudo ok. Se impressão garantisse auditoria, não tenho dúvida que todo mundo seria favorável”.

Pela proposta que foi rejeitada pelo Congresso Nacional, os números que cada eleitor digitaria na urna eletrônica seriam impressos e os papéis seriam depositados de forma automática numa urna de acrílico.

“É preciso criar um mecanismo que atenda, até a necessidade de ter algo impresso, mas tem que ser um mecanismo seguro, que não permita nem a identificação do eleitor, nem que alguém altere esse papel para dizer que houve fraude na urna”.

Conforme o secretário, já existem protótipos fora do País de grandes empresas que permitem uma certa impressão sem o contato direto com o voto, mas são projetos ainda muito caros e a Justiça Eleitoral não está interessada em gastar bilhões com eles, tendo em vista que urnas em uso atende perfeitamente o modelo eleitoral brasileiro.

Por que explicamos: Programa Núcleos de Checagem Eleitoral, liderado pela Abraji, apura conteúdos relativos às eleições em Mato Grosso que atinjam alto grau de viralização nas redes sociais.

Já o CBN Explica serve como instrumento para que os leitores entendam um conteúdo que está viralizando e causando confusão, como é o caso do tema aqui analisado.

A desconfiança da segurança das urnas eletrônicas passou a ser tema de diversas peças de desinformação e é objeto de buscas constantes no Google.

Conteúdos falsos ou enganosos que envolvem o dia a dia do cidadão causam prejuízos ao processo democrático e atrapalham a decisão do eleitor, que deve ser tomada com base em informações verdadeiras.

Outros temas: A CBN já explicou também o contexto social em torno da “Fila dos ossinhos” e como o tema tem rendido troca de acusações entre candidatos.

Clique AQUI e confira.

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