Apontada como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, foi transferida nesta terça-feira (20) para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Ela foi capturada na Bolívia após mais de um ano foragida e acumula condenações que ultrapassam 260 anos de prisão.
O recambiamento foi realizado pela Polícia Civil de Mato Grosso, com equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco) e da Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol), além do apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). A transferência foi autorizada pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).
Antes de retornar a Mato Grosso, Angeliquinha estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS), para onde foi encaminhada provisoriamente após ser entregue à Polícia Federal brasileira.
A captura ocorreu em 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma ação integrada entre a Polícia Civil mato-grossense e autoridades bolivianas. Ela estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da própria unidade prisional para a qual foi levada nesta terça-feira.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil na ocasião da prisão, Angeliquinha teria apresentado documentos falsos aos policiais bolivianos para ocultar a identidade. De acordo com o delegado Victor Hugo, da GCCO, os investigadores já dispunham de informações que permitiram confirmar quem ela era.
As autoridades também apontaram que a investigada teria passado por pelo menos cinco cirurgias para dificultar o reconhecimento.
Liderança criminosa no norte de MT
Angeliquinha é apontada pelas investigações como uma das lideranças do Comando Vermelho no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e municípios vizinhos. Ela é investigada por suposto envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e coordenação de atividades criminosas.
Em declaração anterior, o delegado Victor Hugo afirmou que ela seria responsável por uma parcela significativa dos homicídios atribuídos a facções criminosas na região. Segundo a estimativa apresentada pelo investigador, a suspeita teria atuado como mandante em cerca de 80% desses crimes.
As condenações atribuídas a Angeliquinha ultrapassam 260 anos de reclusão. Ela também é alvo de mandados de prisão expedidos em diferentes ações penais e investigações.
Justiça determina inclusão no RDD
A 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão de Angeliquinha no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) pelo prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação mediante nova decisão judicial fundamentada.
A medida foi adotada após representação da Polícia Civil no âmbito da Operação Showdown. Conforme os fundamentos da decisão, há suspeitas de que ela tenha continuado a exercer funções de liderança na organização criminosa mesmo durante o período em que permaneceu foragida no exterior.
O RDD prevê condições especiais de custódia e restrições específicas estabelecidas pela legislação, conforme a decisão judicial e as necessidades de segurança do sistema penitenciário.
Operação apura movimentação de R$ 20 milhões
Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para investigar um suposto núcleo familiar que teria dado suporte às atividades criminosas atribuídas a Angeliquinha e auxiliado na lavagem de dinheiro.
Na ocasião, foram cumpridas 31 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão e de busca e apreensão, sequestro de veículos e imóveis, bloqueio de contas bancárias e suspensão de pessoas jurídicas.
Segundo a investigação, foram identificadas movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses. Os valores seriam incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
A suspeita é de que empresas e outros negócios tenham sido utilizados para dar aparência legal a recursos provenientes de atividades criminosas. Com a transferência para Cuiabá, Angeliquinha volta a ficar custodiada em Mato Grosso, onde deverá cumprir as determinações judiciais relacionadas ao caso.
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