quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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FORAGIDA DA JUSTIÇA

Angeliquinha é transferida para presídio em Cuiabá após captura na Bolívia

Apontada como liderança do Comando Vermelho em MT, investigada acumula condenações superiores a 260 anos e teve inclusão no RDD determinada pela Justiça

Apontada como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, foi transferida nesta terça-feira (20) para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Ela foi capturada na Bolívia após mais de um ano foragida e acumula condenações que ultrapassam 260 anos de prisão.

O recambiamento foi realizado pela Polícia Civil de Mato Grosso, com equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco) e da Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol), além do apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). A transferência foi autorizada pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).

Antes de retornar a Mato Grosso, Angeliquinha estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS), para onde foi encaminhada provisoriamente após ser entregue à Polícia Federal brasileira.

A captura ocorreu em 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma ação integrada entre a Polícia Civil mato-grossense e autoridades bolivianas. Ela estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da própria unidade prisional para a qual foi levada nesta terça-feira.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil na ocasião da prisão, Angeliquinha teria apresentado documentos falsos aos policiais bolivianos para ocultar a identidade. De acordo com o delegado Victor Hugo, da GCCO, os investigadores já dispunham de informações que permitiram confirmar quem ela era.

As autoridades também apontaram que a investigada teria passado por pelo menos cinco cirurgias para dificultar o reconhecimento.

Liderança criminosa no norte de MT

Angeliquinha é apontada pelas investigações como uma das lideranças do Comando Vermelho no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e municípios vizinhos. Ela é investigada por suposto envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e coordenação de atividades criminosas.

Em declaração anterior, o delegado Victor Hugo afirmou que ela seria responsável por uma parcela significativa dos homicídios atribuídos a facções criminosas na região. Segundo a estimativa apresentada pelo investigador, a suspeita teria atuado como mandante em cerca de 80% desses crimes.

As condenações atribuídas a Angeliquinha ultrapassam 260 anos de reclusão. Ela também é alvo de mandados de prisão expedidos em diferentes ações penais e investigações.

Justiça determina inclusão no RDD

A 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão de Angeliquinha no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) pelo prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação mediante nova decisão judicial fundamentada.

A medida foi adotada após representação da Polícia Civil no âmbito da Operação Showdown. Conforme os fundamentos da decisão, há suspeitas de que ela tenha continuado a exercer funções de liderança na organização criminosa mesmo durante o período em que permaneceu foragida no exterior.

O RDD prevê condições especiais de custódia e restrições específicas estabelecidas pela legislação, conforme a decisão judicial e as necessidades de segurança do sistema penitenciário.

Operação apura movimentação de R$ 20 milhões

Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para investigar um suposto núcleo familiar que teria dado suporte às atividades criminosas atribuídas a Angeliquinha e auxiliado na lavagem de dinheiro.

Na ocasião, foram cumpridas 31 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão e de busca e apreensão, sequestro de veículos e imóveis, bloqueio de contas bancárias e suspensão de pessoas jurídicas.

Segundo a investigação, foram identificadas movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses. Os valores seriam incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

A suspeita é de que empresas e outros negócios tenham sido utilizados para dar aparência legal a recursos provenientes de atividades criminosas. Com a transferência para Cuiabá, Angeliquinha volta a ficar custodiada em Mato Grosso, onde deverá cumprir as determinações judiciais relacionadas ao caso.

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