O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), um dos principais alvos da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta terça-feira (20), classificou a ação como “estranha” e questionou o foco das investigações. A operação apura suspeitas de corrupção, compra de votos e irregularidades envolvendo a eleição da Mesa Diretora do Legislativo municipal.
Alvo de mandados de busca e apreensão, Cerqueira afirmou que ainda não tinha conhecimento detalhado da investigação. Ele também comparou a operação às denúncias que, segundo ele, existem contra a gestão da Prefeitura de Várzea Grande.
“Eu desconheço a operação e eu acho muito estranho, né? Acho muito estranho. Mais de 30 denúncias já da prefeita e não… A busca na Câmara não veio, né?”, afirmou o vereador. Em seguida, reforçou as críticas: “Eu não me inteirei dos fatos ainda, não. Eu não me inteirei dos fatos, tô achando muito estranha essa operação, tá? Porque tem mais de 30 denúncias, eu acho, acredito que mais de 50, contra a prefeitura”.
Apesar das críticas, o presidente da Câmara afirmou que o cumprimento de mandados é um procedimento previsto quando há determinação judicial e declarou que o Legislativo está à disposição das autoridades.
“A busca é normal, a polícia faz a busca. A busca é feita onde há determinação judicial. Agora, a partir daí, dizer que há alguma irregularidade, isso a Justiça vai dizer depois. Mas, a Câmara está à disposição, o presidente também está à disposição”, declarou.
Outro alvo da operação, o vereador Rogério Dakar (PSDB), ex-diretor-presidente do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG), afirmou que os agentes procuravam documentos relacionados à sua passagem pela autarquia. Segundo ele, um dossiê sobre a gestão foi entregue ao Gaeco.
“Nós passamos para ele [Gaeco] o nosso dossiê do DAE, tá? Até mesmo porque a sociedade precisa que realmente o Gaeco, o Ministério Público, investigue para assim mostrar o nosso trabalho no DAE. Nesses cinco meses, nós fizemos 15 licitações, colocamos o Instituto IFMT lá dentro do DAE, fizemos transparência no DAE. Isso incomoda muita gente, né?”, disse.
Dakar negou que as buscas estivessem relacionadas à disputa pela presidência da Câmara e afirmou que os agentes recolheram documentos do departamento de saneamento. Ele também foi questionado sobre gravações divulgadas recentemente em que aparece manuseando maços de dinheiro guardados em uma sacola. O vereador negou relação entre as imagens e a investigação atual.
“É um vídeo totalmente fora do contexto, não tem nada a ver com a vida pública. Eu volto a te falar, eu não votei em mesa nenhuma”, declarou.
Disputa pela Mesa Diretora
A operação ocorre em meio à disputa política e judicial pelo comando da Câmara de Várzea Grande. A eleição que reconduziu Cerqueira à presidência para o biênio 2027-2028 terminou com 12 votos a 11 e passou a ser questionada judicialmente por suspeitas de irregularidades no processo, incluindo alegações de aliciamento e compra de votos.
O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a suspensão da eleição e a realização de um novo pleito. Segundo Cerqueira, a nova votação ainda não tem data definida, pois depende de decisão judicial.
“Ainda não, está aguardando decisão judicial”, afirmou. Sobre o prazo para apresentar defesa no processo, o vereador disse que ainda está em andamento e que a manifestação será feita dentro do período previsto.
Operação Cathedra Venalis
Deflagrada nesta terça-feira (20), a Operação Cathedra Venalis investiga suspeitas de organização criminosa, corrupção, obtenção de vantagens indevidas e cooptação de agentes públicos. O foco da apuração são possíveis irregularidades envolvendo a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande.
Ao todo, são cumpridos 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. A operação tem como alvos 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá, além de um suplente e da diretora-geral da Câmara municipal. Mais de 200 policiais participam das diligências.
A realização das buscas não representa, por si só, comprovação de culpa dos investigados.
