A presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil (PL), deu um passo importante para viabilizar sua permanência no comando do Legislativo. Por 13 votos a 12, os vereadores aprovaram, na sessão desta terça-feira (14), o parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) favorável ao projeto de resolução que permite a reeleição para cargos da Mesa Diretora dentro da mesma legislatura.
A votação, no entanto, não altera o Regimento Interno da Casa. Com a aprovação do parecer, o projeto segue apto para ser analisado em definitivo pelo plenário, em sessão marcada para quinta-feira (16). Para entrar em vigor, a proposta precisará do voto favorável de pelo menos 18 vereadores.
De autoria do vereador Marcus Brito Júnior (PV), o projeto altera o artigo 23 do Regimento Interno da Câmara para autorizar a recondução sucessiva ao mesmo cargo durante a mesma legislatura. Atualmente, a regra impede que integrantes da Mesa sejam reeleitos antes do início de uma nova legislatura.
Na justificativa, Marcus Brito argumenta que o Legislativo municipal possui autonomia para disciplinar sua organização interna e cita decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconhecem a possibilidade de uma única reeleição consecutiva para mesas diretoras de casas legislativas.
A proposta ganhou força nas últimas semanas, após Paula intensificar as articulações para permanecer na presidência. Em junho, ela reuniu vereadores em um jantar e consolidou um bloco de apoio que chegou a reunir 14 parlamentares.
Entretanto, para alterar o Regimento Interno, a presidente ainda precisará alcançar o número de votos exigido para aprovação da matéria, desafio que continua sendo tratado como o principal obstáculo pelo grupo político.
A disputa também aprofundou o racha entre vereadores que, até então, integravam a base do prefeito Abilio Brunini. Parte dos parlamentares passou a resistir às articulações em torno da sucessão da Mesa Diretora, ampliando o clima de tensão política dentro da Câmara.
Nos bastidores, aliados de Paula chegaram a discutir um plano alternativo caso a mudança no Regimento fosse derrotada. A estratégia previa a construção de uma candidatura de consenso, tendo o vereador Dilemário Alencar (União) como possível nome para presidir a Casa.
Como votou cada vereador
Votaram favoravelmente ao parecer:
Baixinha Giraldelli (Solidariedade), Marcus Brito Júnior (PV), Samantha Iris (PL), Marcrean Santos (MDB), Tenente-Coronel Dias (Cidadania), Cezinha Nascimento (União), Demilson Nogueira (PP), Professor Mário Nadaf (PV), Adevair Cabral (União), Dilemário Alencar (União), Kássio Coelho (Podemos), Ranalli (PL) e Wilson Kero Kero (Democrata).
Votaram contra:
Michelly Alencar (União), Dídimo Vovô (PSB), Maria Avalone (PSDB), Maysa Leão (Republicanos), Alex Rodrigues (Podemos), Daniel Monteiro (Republicanos), Ilde Taques (Podemos), Katiuscia Mantelli (Podemos), Jeferson Siqueira (PSD), Eduardo Magalhães (Republicanos), Chico 2000 (PL) e Dra. Mara (Podemos).
