sábado, 9 de dezembro de 2023
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OPINIÃO

Artigo: Capítulo I – Inflação

Mercado financeiro não enxerga a curto prazo uma estabilização política e econômica para nortear as tomadas de decisões

Enfim, 2023 começou e com ele nasce uma enxurrada de esperança. Projetos se iniciam, repactuações são planejadas e se começa a corrida contra o tempo… Basicamente um livro anual de desejos e metas, página X de 365 dias.

O “fim” da pandemia nos trouxe preocupações até então deixadas em segundo plano. Em um momento de crise sanitária, a prioridade é sobreviver e depois ver “no que vai dar”. Então, agora chegou o tempo de correr atrás do “o que vai dar”. O momento chegou, bateu à porta e trouxe com ele: crise política, nacional e mundial, regimes de governo sendo atacados, guerras eclodindo mundo afora, grandes empresas derretendo no mercado, deuses no mundo bussines, perdendo sua divindade, investidores amadores ou profissionais se debatendo em cima de projeções até então claras, mas agora obscuras. A cada página de 2023 vemos capítulos de agonia e desespero do mercado financeiro, que não enxerga a curto prazo uma estabilização política e econômica para nortear as tomadas de decisões.

O mercado se baseia nas prospecções do Banco Central (BC) e entre eles, o índice inflacionário, que é divulgado mensalmente e amplamente discutidos nos telejornais de rede aberta.  O capítulo do “jornal da noite”, aquele que assistimos com toda a família na mesa de jantar, o bloco do especialista em Economia, sempre teve um gostinho diferente no tempero da comida, sempre que esclarecia números e indicadores e a cada dia experimentávamos um cardápio diferente.  Tal costume se tornou hábito desde a época de Sarney, quando as maquininhas de etiquetagem batiam todos os dias naquela corrida frenética inflacionária. Vimos nossos pais virarem os “Fiscais do Sarney”.

Tivemos um “salvador” naquela época, com a mudança da moeda.  Após um período de transição surgiu o REAL “deus da equiparação cambial”. O novo deus ganhou até o slogan, “R$ 1 é igual 1 Kg de frango” e definitivamente a proteína animal voltava à mesa do trabalhador.

Transição difícil para a família avaliar. Recordo claramente meu patriarca dizendo, que naquele mês mudaríamos o cardápio. Seguimos dia após dia, página à página lendo nosso livro, abrindo e fechando capítulos de um país, onde desde cedo na mesa do jantar, somos impulsionados a entender de Economia, mas não somos instigados a aprofundar a enxurrada de informações que nos são dadas diariamente.

Após essa breve “estória” usada para ilustrar o quão cotidiano é essa discussão, cada leitor aqui, se viu em algum momento encaixado nessa roda viva da discussão econômica e política do país. Entramos 2023, após termos um ano anterior extremamente polarizado. Vimos o fantasma da inflação bater a nossa porta, chegando à casa dos 12% a.a, em abril de 2022. Medidas foram tomadas e refletiram diretamente no bolso do brasileiro, pois o indicador é calculado com base na cesta de produtos e serviços usados pela população trabalhadora. Redução do ICMS, em especial nos combustíveis, e ampliação da cobertura financeira social, no segundo semestre de 2022, trouxe uma sensação de diminuição no peso do ente tributário e uma devolução da capital ao bolso do trabalhador.

Na última semana o BC trouxe a inflação acumulada de 5,79%, claro reflexo das medidas adotadas no segundo semestre de 2022, e ainda nos trouxe a projeção para os próximos três anos, vejamos:

Fonte: site https://www.bcb.gov.br/ Banco Central do Brasil

O indicador de 2023 demonstra perspectiva de índice acima da meta, no entanto precisamos ficar atentos aos motivos basilares que deram impacto significativo na queda do índice de abril/2022 a janeiro/2023, de mais de 50%, visto que acompanhamos de perto as brigas e disputas políticas que culminaram com a adoção de práticas objetivas e duras de curto prazo, para que a inflação baixasse abruptamente. Então sendo assim, cabe a cada um de nós acompanharmos e avaliarmos as movimentações de mercado, visto que decisões de médio e longo prazo precisarão ser tomadas, para que essa queda do índice seja constante e as perspectivas do BC seja realizada.

Podemos observar que em 2023 recuperamos os meios de produção e com uma demanda represada extremamente significativa, tanto na cadeia de produção como na linha de consumo, estamos vendo uma movimentação considerável no mercado de circulação de bens e serviços, atividades como turismo e saúde demonstraram um aumento extremamente relevante. No entanto, tal movimentação ocasiona um excesso de demanda que automaticamente cria um hiato de escassez, fazendo com que os preços se movimentem e nesta relação entre a oferta versus demanda, a movimentação sempre será do ponto atual para cima.

Em um país com cenários diversos e faixas econômicas múltiplas, chegar a uma análise objetiva do impacto desta movimentação, nos grupos econômicos como avaliação única, é quase que impossível, mas a avaliação setorial deve ser feita e mensurada a cada impacto macro de política econômica ou micro setorial do ramo de atividade do setor, para que com isso possamos avaliar tomadas de decisões substanciais à perenidade de cada atividade econômica.

Neste livro extremamente cativante fizemos a leitura do CAPÍTULO I – INFLAÇÃO e cada capitulo desta leitura, de 365 dias e 12 capítulos, vamos transcorrer sobre o que é, está sendo e será o nosso Livro 2023.

Eroaldo Oliveira é Economista, Conselheiro CoreconMT e Executivo.

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