O advogado Bruno Castro é um dos alvos centrais da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (8), que investiga um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A investigação aponta para um elo entre o jurista e o advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá.
A ação é um desdobramento direto da Operação Sisamnes. De acordo com o relatório investigativo encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a quebra de sigilo e a extração de dados dos aparelhos telefônicos dos dois advogados revelaram conversas explícitas sobre a tentativa de compra de decisões.
As mensagens interceptadas apontam que, no dia 27 de setembro de 2023, Bruno Castro solicitou a Roberto Zampieri que intermediasse a concessão de um efeito suspensivo em um recurso de apelação que tramitava na Corte mato-grossense. Castro sequer atuava formalmente no processo em questão. A partir da execução de Zampieri, a análise de seu celular funcionou como ponto de partida para rastrear a rede de corrupção.
Além de Bruno Castro, a PF cumpre ordens judiciais contra o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL).
Prisão em flagrante
A Operação Gemini mobilizou equipes para o cumprimento de mandados de busca e apreensão domiciliar, busca pessoal e quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático. Conforme informações apuradas pela reportagem, um dos alvos das ordens judiciais acabou preso em flagrante durante as buscas em Cuiabá, devido à localização de materiais irregulares.
Os envolvidos na investigação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.
