Mesmo com a redução no número total de homicídios de mulheres, Mato Grosso registrou aumento nos casos de feminicídio e aparece como o terceiro estado com a maior taxa desse tipo de crime no país. Os dados constam no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (24).
Em 2025, o estado contabilizou 95 homicídios de mulheres, quatro a menos que os 99 registrados no ano anterior, uma queda de 5,5%. No mesmo período, porém, os feminicídios passaram de 47 para 53 casos, alta de 11%, elevando a taxa de 2,5 para 2,7 vítimas por 100 mil mulheres.
Com esse índice, Mato Grosso ficou atrás apenas de Acre e Rondônia no ranking nacional.
Outro dado que chama atenção é que 55,8% das mulheres assassinadas no estado foram vítimas de feminicídio. O percentual supera a média brasileira, de 44,4%, indicando que mais da metade das mortes violentas de mulheres em Mato Grosso ocorreu em contextos de violência de gênero.
O cenário acompanha uma tendência nacional. Em todo o país, os homicídios de mulheres caíram 5,5% entre 2024 e 2025, enquanto os feminicídios cresceram 4%, chegando a 1.571 vítimas — o maior número da série histórica recente.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a redução dos homicídios femininos está relacionada principalmente à diminuição de mortes ligadas à criminalidade urbana. Já os assassinatos cometidos por companheiros ou ex-companheiros, dentro do contexto de violência doméstica e de gênero, continuam em alta.
Tentativas de feminicídio e violência psicológica também crescem
O Anuário destaca que o feminicídio costuma ser o desfecho de um ciclo de violência marcado por ameaças, agressões físicas, violência psicológica, perseguição e descumprimento de medidas protetivas.
Em 2025, o Brasil registrou 4.189 tentativas de feminicídio, aumento de 5,9% em relação ao ano anterior, o equivalente a quase três tentativas para cada feminicídio consumado.
Mato Grosso também figura entre os estados com os piores indicadores nesse quesito. O estado registrou a segunda maior taxa de tentativas de feminicídio do país, com 12,5 casos por 100 mil mulheres, atrás apenas do Amapá.
Outro indicador preocupante é o da violência psicológica. Mato Grosso apresentou a segunda maior taxa nacional desse crime, com crescimento de 70,3% em relação ao ano anterior.
Para os pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o avanço desses registros reforça que a violência contra a mulher costuma se intensificar de forma progressiva até atingir sua forma mais extrema: o feminicídio.
Necessidade de fortalecer políticas públicas
O Anuário ressalta que o enfrentamento à violência de gênero exige ações preventivas e não apenas respostas após o crime consumado.
Entre as medidas apontadas como prioritárias estão o fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres em situação de risco, a fiscalização do cumprimento de medidas protetivas, a ampliação da rede de atendimento e ações permanentes voltadas ao enfrentamento das desigualdades de gênero.
Os dados mostram que, embora os homicídios de mulheres tenham diminuído em Mato Grosso, o estado permanece entre os mais perigosos do país para mulheres vítimas de violência motivada por questões de gênero.
