O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que ainda não há evidências suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e os casos graves registrados.
De acordo com o governo federal, todos os episódios seguem sob investigação. Enquanto uma nova análise é realizada, estados e municípios deverão interromper a aplicação do imunizante.
A recomendação é que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento e monitoramento de possíveis reações adversas.
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e a primeira do mundo aplicada em dose única.
Casos graves investigados
Durante a coletiva, o Ministério da Saúde apresentou dados de farmacovigilância referentes ao período entre janeiro e 30 de maio de 2026. Segundo o balanço, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% do total de vacinados.
Entre essas ocorrências, 42 pacientes apresentaram sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Os casos representam 0,008% do total de pessoas imunizadas e foram classificados como eventos muito raros. Apesar disso, não haviam sido observados nos estudos clínicos nem constam na bula da vacina.
Dos 42 registros, três evoluíram para quadros considerados graves:
- O primeiro caso envolve uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. Ela desenvolveu um quadro de dengue grave com choque, precisou ser internada em uma UTI e recebeu alta posteriormente.
- O segundo caso é o de uma mulher de 48 anos que manifestou sintomas de dengue grave 19 dias após a imunização. Segundo o ministério, ela apresentou comprometimento neurológico, com meningoencefalite, e morreu.
- Já o terceiro caso envolve um homem de 58 anos que teve febre cinco dias após a vacinação e evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário. Ele também morreu.
Segundo o Ministério da Saúde, os efeitos adversos graves identificados até agora não haviam sido observados nos estudos clínicos realizados com cerca de 16 mil voluntários. Os resultados da pesquisa, que embasaram a aprovação da vacina, foram publicados na revista científica Nature e apontaram eficácia e segurança do imunizante.
O que diz o Butantan?
Em nota, o Instituto Butantan afirmou que a suspensão da vacinação contra a dengue segue uma orientação preventiva do Ministério da Saúde e da Anvisa para reavaliar a estratégia de imunização após o registro de três casos graves em cerca de 500 mil pessoas vacinadas. O instituto destacou que ainda não há confirmação de que os eventos estejam relacionados à vacina, defendeu a segurança e a eficácia do imunizante, e disse que continuará colaborando com as autoridades sanitárias e realizando novos estudos para que a vacinação possa ser retomada, caso sua segurança seja confirmada.
Leia a nota completa:
O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal.
No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.
O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.
