Em sua primeira visita a Mato Grosso após a posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso pregando uma parceria com o governador Mauro Mendes (União Brasil), mas também destacando problemas sociais que fizeram com que o Estado estampasse os noticiários nacionais, a exemplo da chacina que matou sete pessoas em Sinop, no mês de fevereiro.
O presidente participou da solenidade de entrega das chaves de 1.440 apartamentos no residencial Celina Bezerra, em Rondonópolis (212 km de Cuiabá), na manhã desta sexta-feira (3).
O conjunto teve sua construção iniciada na gestão da então presidente Dilma Rousseff (PT), mas as obras foram paralisadas e entregues somente agora.
Lula aproveitou parte do discurso para amenizar as vaias recebidas por Mendes que, durante a eleição, apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Não quero saber se o governador me apoiou ou não. Não quero saber o partido dele. O que me interessa é que ele está eleito e tenho que trabalhar junto com ele, para governador para o povo do Estado”, afirmou Lula.
O presidente citou que, assim que tomou posse, convocou todos os governadores para uma reunião e propôs uma união em prol do Brasil.
Ele fez, ainda, uma menção ao prefeito de Rondonópolis, José Carlos do Pátio, seu apoiador político: “Se o Pátio fosse meu adversário, ainda assim eu viria aqui e trataria ele com respeito. A democracia exige espeito mesmo que na adversidade. Não estou propondo casamento para ninguém, estou propondo governar e tratar o povo com respeito”.
“Fila de ossinhos”
Ainda em seu discurso, Lula recordou o episódio que ficou marcado como a “fila dos ossinhos”, que ocorreu em um açougue de Cuiabá e citou a fome enfrentada por milhares de brasileiros.
“Sempre falei ao governador, quero trabalhar junto com vocês para que a vida desse povo possa melhorar. Vamos acabar com a fome nesse País. Foi aqui nesse Estado, um dos maiores criadores de gado, maior produtor de grãos, que pessoas foram a fila de açougue esperando osso fazer sopa”, afirmou.
“Não é explicável no País que é terceiro maior produtor de alimento do planeta, termos 33 milhões de pessoas passando fome. Temos quatro anos pela frente pra gente consertar esse país”, emendou Lula.
Chacina em Sinop
O presidente destacou, ainda, a chacina ocorrida no último mês na cidade de Sinop e que terminou com a morte de sete pessoas, entre elas, uma menina de 12 anos de idade.
“Infelizmente, o Brasil virou o país da mentira, do ódio e da provocação. Acompanhamos em Sinop um homem que resolveu matar as pessoas sem qualquer explicação”.
“A gente vê na televisão todos os dias, agressão em aeroporto, no mercado, no shopping. O País foi tomado pela violência porque a mentira predominou, porque o ódio predominou. E temos quatro anos para mudar essa realidade”.