A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (8), mais uma operação para apurar o esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Entre os alvos das ordens judiciais estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL). A ação é um desdobramento da Operação Sisamnes e foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Dirceu dos Santos está afastado de suas funções no Judiciário por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Investigações apontam que o magistrado possui um patrimônio avaliado em mais de R$ 16 milhões, montante considerado incompatível com os subsídios da magistratura. Entre as movimentações suspeitas apuradas com a quebra de sigilos bancário e fiscal, o desembargador movimentou mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos.
As investigações apontaram que Faissal Calil trabalhou como assessor no gabinete de Dirceu entre os anos de 2017 e 2018, antes de ser eleito para a Assembleia Legislativa. O vínculo entre os dois também se estendeu para o setor imobiliário: um processo de divórcio revelou que o desembargador é dono de um apartamento avaliado em R$ 1 milhão no Edifício Vila Real, no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá, adquirido por meio de permuta em conjunto com o deputado estadual. O imóvel, contudo, não consta na declaração de bens que o parlamentar entregou à Justiça Eleitoral.
Na semana passada, agentes da Polícia Federal já haviam cumprido mandados de busca e apreensão no gabinete do magistrado, na sede do TJMT, por ordem do CNJ. Os desdobramentos agora avançaram sobre a rede de influências e possíveis operadores do esquema.
Até o fechamento desta matéria, o deputado estadual Faissal Calil não havia se pronunciado publicamente sobre a operação ou sobre a sua relação comercial com o magistrado investigado. O espaço segue aberto para as manifestações da defesa do parlamentar e do desembargador afastado.
