Uma discussão de trânsito envolvendo a presidente municipal do partido Novo em Rondonópolis, Raquel Becker Mattei, e o empresário Carlos Caliman tomou proporções políticas nas redes sociais nesta semana. A dirigente partidária denunciou ter sido perseguida pelo comerciante por motivações ideológicas na quarta-feira (3), enquanto o empresário alega que o episódio foi um desentendimento após uma quase colisão entre os veículos.
Em vídeo publicado no Instagram, Raquel relatou que dirigia pela cidade acompanhada da filha quando percebeu que o empresário a seguia. As imagens divulgadas mostram trechos da suposta perseguição, mas o áudio original foi silenciado sob a justificativa de conter palavras de baixo calão.
“Nunca imaginei que, depois de tudo o que vivi na política, passaria por uma situação dessas. E ainda com a minha filha dentro do carro. Ela ficou sem saber o que fazer”, declarou a presidente do Novo. O relato mobilizou parlamentares da bancada de direita de Mato Grosso, como o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) e o deputado federal Nelson Barbudo (Podemos), que publicaram mensagens de apoio a Raquel e criticaram a postura do empresário.
Outro lado
Após a forte repercussão do caso e os ataques virtuais, o empresário Carlos Caliman também gravou um vídeo para apresentar sua versão dos fatos. De acordo com ele, o incidente começou estritamente devido a uma fechada no trânsito nas proximidades do Lions Club.
“Ela veio para a pista em minha direção, e eu quase bati o carro. E aí eu segui, abri o vidro e gesticulei para a pessoa, falei tipo: ‘não me viu?’. Aí ela baixou o vidro e vi que era a dona Raquel”, defendeu-se Caliman.
O empresário admitiu que, ao reconhecer a líder política, cobrou-a por episódios ocorridos nas eleições de 2022, quando grupos de direita criaram listas de transmissão na internet sugerindo o boicote a comércios de proprietários com pensamentos de esquerda. Caliman afirmou que não possui filiação partidária e lamentou que sua empresa continue sofrendo prejuízos financeiros por conta da polarização.
“Eu já pedi para o diretor do PT aqui soltar uma nota dizendo que eu nunca fui, nunca vou ser filiado a partido nenhum. Eu não tenho partido. Eu tenho a minha ideologia. Muitos comerciantes foram prejudicados na época. E eles não pararam com isso até hoje. São 15 famílias que dependem de mim para sobreviver e a minha loja está fechada”, desabafou o comerciante.
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