terça-feira, 2 de junho de 2026
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ESCÂNDALO NA EDUCAÇÃO

Sérgio Ricardo expõe erros em livros de R$ 50 milhões e chama fornecedores de ‘quadrilha de malandros’

O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, subiu o tom contra o contrato de compra de materiais didáticos pela Secretaria de Educação de Cuiabá, na gestão anterior. Em transmissão ao vivo nas redes sociais, ele apontou 11 erros em apenas 31 páginas de um dos livros apreendidos e classificou o material como “porcaria” e “fraude”.

Os livros foram localizados no último fim de semana durante uma vistoria conjunta entre o TCE e o prefeito Abilio Brunini (PL). Milhares de exemplares de disciplinas como informática e educação financeira estavam abandonados em um almoxarifado, sem qualquer uso pedagógico. O município já pagou R$ 50 milhões pelo contrato, que previa gastos de até R$ 159 milhões entre os anos de 2025 e 2026.

“A Prefeitura de Cuiabá pagou R$ 50 milhões nessa porcaria. Quando falo em porcaria não é desrespeito à Educação, mas a essa fraude. Os caras que venderam isso são uma quadrilha de malandros, desonestos e burros”, disparou o conselheiro, ao exibir erros de concordância e dados desatualizados. Em um dos livros de educação financeira, o salário mínimo citado é de R$ 720, valor vigente no país em 2014. Atualmente, o salário é de R$ 1.621.

Notas fakes em boletins

Além do prejuízo financeiro e do material inadequado, a auditoria do Tribunal de Contas descobriu indícios de falsificação em documentos escolares da rede municipal.

Segundo Sérgio Ricardo, os investigadores identificaram boletins de estudantes com notas lançadas na disciplina de informática, mesmo em escolas que não possuem computadores, laboratórios ou professores contratados para a matéria.

“Os bandidos que venderam e os que compraram inseriram a matéria de informática fraudulentamente. Os bandidos colocaram nota! A criança tirou 7 em computação, mas ela nunca teve matéria de computação, não sabe como mexe em computador. Isso é crime”, denunciou o presidente da Corte de Contas.

O TCE mantém um procedimento investigatório aberto para apurar a extensão do esquema, o superfaturamento e a inutilidade das compras. O contrato foi suspenso pela atual gestão municipal após as suspeitas virem à tona.

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