O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) reagiu com firmeza à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Pivetta endossou a leitura norte-americana, mas lamentou publicamente que a iniciativa de endurecer o tom contra o crime organizado tenha partido de Washington, e não do Palácio do Planalto, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em crítica direta à condução da segurança pública pelo Governo Federal, o chefe do Executivo mato-grossense cobrou ações mais enérgicas e sugeriu omissão por parte das autoridades nacionais no enfrentamento ao tráfico e às organizações que controlam territórios.
“Precisamos tratar essas organizações criminosas com o rigor da lei. Não é possível o Estado estar perdendo a luta para o Estado paralelo. Estamos perdendo esse jogo por falta de atitude, por falta de coragem e até por falta de seriedade”, disparou o governador.
Para Pivetta, as facções deixaram de ser um problema estritamente policial e se tornaram uma ameaça real à soberania e segurança nacional. Ele defendeu que Mato Grosso tem buscado blindar suas fronteiras e estradas de forma isolada e citou, como exemplo de reação imediata, a convocação recente de 430 novos policiais militares (400 soldados e 30 oficiais) para reforçar o policiamento nas cidades do interior. “Não vamos parar de combater as facções”, emendou.
Sanções de Washington
A classificação que motivou o posicionamento foi anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA. O comunicado oficial, assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio, determinou que o PCC e o Comando Vermelho agora constam na lista de terroristas globais especialmente designados, com previsão de enquadramento definitivo como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.
A nota oficial da gestão de Donald Trump enfatiza a letalidade das duas organizações em solo brasileiro, apontando que ambas reúnem milhares de integrantes armados e foram responsáveis por atentados brutais contra policiais, civis e autoridades públicas. Com a nova chancela, o governo norte-americano passará a congelar bens, monitorar fluxos de lavagem de dinheiro no exterior e bloquear a entrada de qualquer suspeito ligado aos dois grupos em território americano.
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