terça-feira, 16 de julho de 2024
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POLICIAIS DENUNCIADOS

Comandante da PM critica MPE: “Realidade não é aquela de dentro dos gabinetes refrigerados”

Na semana passada, o MPE apresentou seis denúncias provenientes da Operação Simulacrum contra mais de 60 policiais militares

THAIZA ASSUNÇÃO – DA REDAÇÃO 

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alexandre Mendes, saiu em defesa dos policiais militares denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE) por supostamente forjarem confrontos para cometerem execuções.

Na semana passada, o MPE apresentou seis denúncias provenientes da Operação Simulacrum contra mais de 60 policiais militares. A operação foi deflagrada em 2020 pela Polícia Civil e acusa o grupo de ter atuado na morte de 23 pessoas, em Cuiabá e Várzea Grande, além da tentativa de homicídio de, pelo menos, outras quatro. Nas denúncias, o Ministério Público ressaltou que houve um aumento de mais de 800% nas mortes de civis em confrontos com policiais militares entre os anos de 2015 e 2023 na Grande Cuiabá.

Em artigo publicado nesta segunda-feira (1), o coronel citou o confronto ocorrido neste final de semana em Sorriso, que terminou com cinco criminosos mortos após reagirem à Polícia Militar e questionou se o fato também entraria na cota da “letalidade policial”.

“Cinco criminosos foram neutralizados após reagirem à polícia militar em Sorriso, dias atrás. Pergunto agora. Seria essa ocorrência mais cinco mortes somadas na conta da ‘letalidade policial’? Seriam os policiais que participaram do confronto, doravante suspeitos de execução, considerando-se o resultado morte?”, afirmou.

“O problema dessas perguntas não reside em suas respostas: um rotundo não! Mas na própria concepção de quem as concebe, cheio do pressuposto de que o criminoso que morre é vítima potencial da polícia. Um conceito distorcido que inverte os polos policial e bandido. Esse é o erro que antecede a discussão sobre os tais 800% de aumento nas mortes que está sendo atribuído à polícia”, acrescentou.

Mendes alegou que quem morre em confronto policial, em regra, atentou contra a vida de alguém que representa o Estado, ou seja, o militar.

“A letalidade que querem atribuir à ‘polícia que mata’ é, na verdade, letalidade criminal, isto é, fruto das facções e da ineficiência de todo um sistema estatal, inclusos nele, vale dizer, até mesmo quem propugna — via cargo público – essa falácia de que ‘a polícia mata’”, afirmou.

“O policial não tem o dever de dispor da vida para o criminoso evitando assim o que chamam de “letalidade policial”. Quem poderia negar que nossas guarnições quando neutralizam uma ameaça, esta ameaça encontra-se armada, por vezes, até os dentes. Quem, senão o policial, pode frear o poder que essas facções querem impor mediante a violência?”, declarou.

O coronel ainda reforçou crer na educação como meio central de ação na segurança pública. Frisou que no confronto em Sorriso dois eram menores de idade, que poderiam estar fazendo um curso técnico e profissionalizante, mas optaram pelo crime como forma de ganhar a vida.

“Recomendo conhecer a verdadeira realidade, não aquela dentro dos gabinetes refrigerados, mas a nossa, do meu irmão de farda que está na ponta, que em frações de segundo precisa agir dentro dos princípios legais, protegendo a própria vida, de terceiros inocentes e a do agressor ativo. Em frações de segundo, com batimentos cardíacos altíssimos, alterações do sistema nervoso central, e claro, muitas vezes com o suor entre os olhos”, finalizou.

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