terça-feira, 9 de junho de 2026
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OPERAÇÃO GEMINI

Paula Calil defende irmão na Câmara e diz que operação da PF contra Faissal é ‘perseguição política’

Vereadora usou a mesa da Presidência nesta terça-feira (9) para declarar convicção na inocência do parlamentar

A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), usou a sessão ordinária desta terça-feira (9) para sair em defesa do irmão, o deputado estadual Faissal Calil (PL), alvo da Operação Gemini da Polícia Federal. Da mesa diretora, a parlamentar classificou a investigação sobre o suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) como “perseguição política” motivada pelo período eleitoral.

“Nós estamos em um período de pré-campanha, onde os deputados estão buscando sua reeleição, e situações como essas, perseguições políticas como essas, podem sim acontecer. Todo político está suscetível, mas eu confio com muita tranquilidade também que tudo será esclarecido, na inocência do deputado Faissal”, discursou a vereadora, pontuando que falava “não como presidente, mas como irmã”.

A linha de defesa adotada por Paula, contudo, bate de frente com o robusto relatório da Polícia Federal e a decisão do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). As investigações apontam que Faissal atuava como operador do desembargador afastado Dirceu dos Santos, com quem trabalhou como assessor de gabinete entre 2017 e 2018.

Os dados extraídos do celular do advogado Roberto Zampieri — executado a tiros em Cuiabá em dezembro de 2023 — expuseram mensagens explícitas entre o lobista e Faissal. Nas conversas, eles combinavam os termos de uma decisão favorável a uma mineradora em um processo de reintegração de posse em Cláudia (620 km ao norte da Capital). Logo após o acerto, o desembargador Dirceu dos Santos proferiu a sentença exatamente como Zampieri havia garantido ao deputado.

Além das mensagens de texto, a PF identificou uma controversa transação imobiliária que liga diretamente o deputado ao magistrado. Dirceu dos Santos, cujo patrimônio acumulado passa de R$ 16 milhões, possui um apartamento avaliado em R$ 1 milhão no Edifício Vila Real, localizado no bairro nobre Duque de Caxias, em Cuiabá. O imóvel foi registrado como adquirido “por permuta” em sociedade conjunta com Faissal Calil. O deputado, no entanto, omitiu o apartamento de luxo em sua declaração oficial de bens entregue à Justiça Eleitoral.

Dirceu dos Santos já estava afastado de suas funções no TJMT desde março, por ordem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), devido à evolução patrimonial incompatível com o subsídio da magistratura. A Operação Gemini cumpre mandados de busca e apreensão e quebra de sigilos bancário e fiscal para dimensionar o tamanho do esquema de corrupção.

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