sexta-feira, 29 de maio de 2026
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CRISE NA EDUCAÇÃO

TCE vai apurar se Estado comprou livros de R$ 80 milhões sob suspeita de superfaturamento em Cuiabá

O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, criticou duramente a qualidade dos livros didáticos adquiridos pela Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá. Durante vistoria técnica ao almoxarifado da pasta nesta sexta-feira (29), o conselheiro afirmou ter encontrado erros ortográficos e de concordância nos materiais, além de questionar os responsáveis pela escolha do material.

A aquisição está sob suspeita de superfaturamento de cerca de R$ 80 milhões, conforme denúncia apresentada pelo prefeito Abilio Brunini (PL). O alvo da investigação é o período entre 2025 e 2026, quando a pasta era comandada pelo ex-secretário Amauri Monge.

“Eu quero saber quem foi o gênio, o secretário que decidiu por isso. Quero ver se estão usando essa coleção do Theo que está com erro. Em vez de usar a palavra ‘mas’, eles usaram ‘mais’. Eu quero ver se estão usando esses livros, para saber se tem erro de concordância e português”, criticou Sérgio Ricardo.

O conselheiro também confirmou que o TCE vai investigar se o Governo do Estado adquiriu os mesmos livros didáticos junto à editora, já que Amauri Monge atuava na Secretaria de Estado de Educação antes de assumir o cargo no município. “Eu quero ver toda a correlação que existe entre as aquisições desses livros”, emendou.

Durante a vistoria, Sérgio Ricardo questionou o prefeito Abilio Brunini se a nomeação de Monge teria sido fruto de indicação política. O prefeito negou e defendeu a capacidade técnica do ex-secretário, ponderando que o foco da denúncia é a finalidade do gasto e não a competência do gestor.

“Eu estou discutindo o porquê foi feita a aquisição de tanto material, material pedagógico, num volume de valor que chega a quase R$ 80 milhões. No início de janeiro, por exemplo, a gente repassou um recurso para a Secretaria de Educação que era para ser repassado para as escolas municipais, para que elas pudessem comprar material de limpeza (…) e foi priorizado o pagamento de R$ 21 milhões [para os livros]”, justificou Abilio.

A denúncia do suposto superfaturamento também será encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

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