Gustavo Castro
O policial militar Philippe Thiago Figueiredo foi identificado como o principal alvo e preso na Operação Tu Quoque, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (27). Lotado no 1º Batalhão da Polícia Militar, na região do Porto, em Cuiabá, ele é apontado como o líder de um esquema que roubava entorpecentes de facções criminosas na fronteira para revender na Baixada Cuiabana.
Conforme dados funcionais, o militar recebe um salário líquido de R$ 10.804. Em nota, a Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral acompanha o caso e vai instaurar um procedimento administrativo que pode resultar na demissão do praça. A instituição reforçou que não coaduna com crimes cometidos por seus integrantes.
De acordo com as investigações da Delegacia de Pontes e Lacerda, Philippe tinha papel central no bando. Ele coordenava e participava diretamente dos assaltos a depósitos de drogas mantidos por traficantes na fronteira. O PM também atuava na separação dos tabletes que seriam comercializados.
A operação
A operação cumpre 15 ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em Várzea Grande e Pontes e Lacerda. As ordens foram emitidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 de Cáceres, que também autorizou o bloqueio de até R$ 2,5 milhões em bens dos investigados.
O esquema funcionava com dois núcleos: um monitorava os esconderijos da droga na fronteira e o outro saía de Cuiabá para dar os botes e roubar a carga. Depois, os entorpecentes eram trazidos para a Região Metropolitana e entregues a uma facção rival para a venda no varejo.
A quadrilha começou a cair após a prisão em flagrante de um dos envolvidos. A Polícia Civil descobriu ainda que o grupo usava parentes, empresas de fachada e sites de apostas esportivas para lavar o dinheiro do tráfico.
A ação tem apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).
