A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande suspendeu a sessão ordinária prevista para esta terça-feira (12) para permitir que a Polícia Civil realize uma varredura completa nas dependências do Legislativo. A ação busca identificar possíveis dispositivos de escuta ambiental (grampos) instalados de forma clandestina no prédio e no plenário.
A inspeção técnica foi solicitada pela Secretaria Legislativa de Gestão e Planejamento e será conduzida pela Gerência de Contrainteligência (Gecoi) da Polícia Civil. A decisão institucional foi tomada após o vereador Bruno Rios (PL) registrar um boletim de ocorrência, relatando ter encontrado um microfone escondido em seu gabinete.
Segundo o parlamentar, o aparelho foi localizado atrás das bandeiras de Mato Grosso e de Várzea Grande, escondido em uma canaleta de ar-condicionado e revestido com fita isolante. O dispositivo já foi entregue às autoridades para perícia. Em nota, a Câmara afirmou que o procedimento visa garantir a “segurança institucional e a transparência dos trabalhos”.
O episódio amplia o clima de desconfiança na política local, que enfrenta uma onda de denúncias de “arapongagem” desde março, quando um suposto dispositivo foi achado no gabinete da prefeita Flávia Moretti (PL) — embora a perícia tenha descartado irregularidades naquele caso específico.
O contexto é de alta tensão entre os Poderes, marcado pelo vazamento de áudios atribuídos à prefeita sobre suposta compra de parlamentares e pela investigação do Ministério Público sobre um vídeo em que o marido de Flávia, Carlos Alberto, aparece contando pilhas de dinheiro.
