A Polícia Civil identificou o cantor Odanil Gonçalo Nogueira da Costa, o “MC Mestrão”, como um dos principais alvos da Operação Ruptura CPX, deflagrada na manhã desta terça-feira (31). O artista foi preso em Cuiabá sob a acusação de integrar a maior facção criminosa de Mato Grosso, utilizando sua carreira musical como ferramenta de propaganda e suporte logístico para o grupo.
De acordo com as investigações da GCCO e da Draco, MC Mestrão atuava na disseminação da ideologia da facção por meio do funk. Entre suas composições mais conhecidas estão “Tomou pisada na cabeça” e “Amigos do WT, Terror Chegou” — esta última acumulando mais de 660 mil visualizações em plataformas digitais. Para a polícia, as letras exaltam lideranças e buscam fortalecer a influência do crime organizado em comunidades da Baixada Cuiabana.
O inquérito aponta que a participação de Odanil ia além da apologia artística. Ele mantinha contato direto com a cúpula da facção e frequentava pontos de encontro restritos aos membros. Além disso, o cantor é acusado de prestar apoio logístico, sendo responsável pela guarda e negociação de veículos roubados pelo grupo.
A Operação
A Ruptura CPX cumpre 20 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande e São Paulo. O foco principal é o Complexo Residencial Isabel Campos (CPX), onde a facção impunha um “poder paralelo”, monitorando viaturas e exigindo autorização para qualquer atividade criminosa nos bairros.
O delegado Antenor Junior Pimentel Marcondes destacou que a atuação do MC era estratégica para a facção, funcionando como uma “ferramenta de propaganda” para recrutar jovens e intimidar moradores, consolidando o domínio territorial nas periferias.
