Rany Veloso – Da CBN Rede
Depois do ultimato feito pelos caminhoneiros na semana passada sobre uma possível greve, a categoria afastou a chance de paralisação após reunião nesta quarta-feira (25) no Palácio do Planalto com o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência.
Luciano Santos, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Santos, afirmou que não há motivo para greve neste momento. Segundo ele, a prioridade agora será a articulação no Congresso Nacional para garantir o pagamento do piso mínimo do frete: “O piso mínimo, na visão de todos os sindicatos e dos caminhoneiros autônomos do Brasil, é essencial. É qualidade de vida, é um salva-vidas para a categoria. Por isso, a nossa luta agora será no Congresso Nacional. Vamos pressionar os deputados para saber de que lado eles estão”.
“Quando a categoria está sendo atendida, não há motivo para greve. Greve se faz quando se perde, não quando se está ganhando”, acrescentou.
O ministro Guilherme Boulos disse que o governo vai atuar para evitar mudanças na medida provisória enviada ao Congresso que possam desfigurar a proposta. O texto prevê, além de multas, punições mais rígidas, como a perda do registro para empresas que não cumprirem o pagamento do frete mínimo.
Um dia após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sugerir a divisão da conta com os estados para reduzir impostos sobre combustíveis, Boulos também criticou a atuação de governadores e o aumento do diesel. Segundo ele, houve “ganância” e especulação por parte de distribuidoras e postos, em meio ao cenário internacional, que citou como uma “guerra insana” envolvendo o presidente Donald Trump e o Irã.
“Os caminhoneiros não podem pagar o preço da irresponsabilidade e da ganância de distribuidoras que aumentam os preços de forma artificial, mesmo com a isenção do PIS/Cofins pelo presidente Lula. Da mesma forma, não podem arcar com a omissão de governadores que não querem rever o ICMS para ajudar a estabilizar o preço dos combustíveis, especialmente do diesel”, afirmou.
O ministro também destacou ações de fiscalização conduzidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), pela Polícia Federal e pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom), que já realizaram mais de mil operações e identificaram crimes contra a economia popular.
O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, também participou da reunião e comentou a nova regulamentação publicada em portaria no Diário Oficial da União, com regras para o pagamento do frete.
Entre as mudanças estão a suspensão da contratação de transporte após três descumprimentos, o rastreamento do fluxo de carga e o reforço na fiscalização por meio do CIOT, para evitar sonegação fiscal.
