Por Felipe Igreja e Pedro Fagundes – Da CBN Rede
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso preventivamente nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, por conta de uma nova fase da Operação Compliance Zero. Na operação, a PF investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
O nome da operação que prendeu Vorcaro é uma referência à falta total de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Vorcaro já foi levado para a Superintendência da PF em São Paulo. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a prisão preventiva.
Vorcaro era esperado nesta quarta-feira (4) para prestar depoimento à CPI do Crime Organizado, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça havia decidido como facultativa a ida do banqueiro à CPI.
De acordo com a PF, estão sendo cumpridos hoje 4 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.
Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
Segundo informações obtidas pelo colunista da CBN Lauro Jardim, a prisão de hoje estaria relacionada a descoberta de um grupo de WhatsApp, no celular do banqueiro, onde Vorcaro e outros parceiros planejavam ações violentas contra adversários — em um dos episódios, Vorcaro teria autorizado a simulação de um assalto contra o próprio Lauro Jardim, que conta a operação com detalhes.
Essas mensagens revelariam a participação de Vorcaro em um grupo de WhatsApp chamado “A turma”, onde teriam sido planejados ataques contra pessoas consideradas por ele como adversárias — entre elas, jornalistas.
O grupo reunia personagens como um ex-diretor do Banco Central, um ex-chefe de departamento da mesma instituição, um policial civil — que seria responsável por executar ações de caráter miliciano — e também Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que está entre os alvos da operação.
Os crimes investigados incluem ameaça, corrupção e lavagem de dinheiro. O grupo teria obtido acesso indevido a sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como FBI e Interpol para monitorar investigações. Além disso, Vorcaro teve acesso prévio a informações sobre diligências policiais.
