THAIZA ASSUNÇÃO – DA REDAÇÃO
Em uma entrevista exclusiva à Rádio CBN Cuiabá, o presidente do Dourado, Cristiano Dresch, fez um retrospecto dos feitos alcançados pelo clube ao longo dos últimos seis anos e classificou como “um milagre” a permanência na elite do futebol brasileiro por quatro anos consecutivos.
Um feito que, segundo ele, precisa ser muito valorizado, já que é, praticamente inédito, uma equipe no futebol brasileiro que tenha conseguido à ascensão e se mantido neste patamar por anos.
“Temos que valorizar o que nós fizemos nos últimos anos. Ficar quatro anos na Série A para um clube como o Cuiabá, no Estado de Mato Grosso, uma cidade relativamente pequena comparada com outras cidades que têm clubes na Série A, com pouco dinheiro, com muito pouco apoio local, é praticamente um milagre. É algo que tem que ser muito valorizado. O que a gente fez nesses últimos anos é infinitamente maior do que esse rebaixamento”, disse.
Segundo Cristiano, o rebaixamento, inclusive, “demorou” para acontecer na visão de todas as pessoas que entendem de futebol fora de Mato Grosso.
“A gente ter conseguido ficar nesses quatro anos foi um feito inédito, ninguém tem conseguido fazer isso. O único clube que conseguiu fazer a transição de Série B para Série A, foi o Fortaleza porque está em uma cidade de três milhões de habitantes, tem 60 mil pessoas no estádio e arrecada R$ 5 milhões por mês com torcida”, disse.
Dívidas e perda de arrecadação
Ainda na entrevista, o presidente comentou sobre as dívidas do clube no ano passado, com a perda de orçamento no total de R$ 24 milhões, que resultaram no atraso do salário dos jogadores, o que nunca tinha acontecido antes. Conforme ele, os salários serão regularizados em fevereiro.
“O grande problema que nós tivemos no nosso orçamento foi que em outubro nós tínhamos R$ 8,5 milhões para receber do investidor que comprou os direitos da Liga Forte União e, em setembro, foi feita uma renegociação. Nós tínhamos vendido 20% dos nossos direitos por 50 anos e o próprio investidor nos sugeriu de recomprar dele 10%”, explicou.
“Além, claro, do próprio rebaixamento, que nos causou uma queda de bilheteria e perda de arrecadação de R$ 16 milhões. São R$ 24 milhões que deixamos de arrecadar e que deixou um buraco nas nossas contas”, acrescentou.
Cristiano também afirmou que o clube terá uma perda de 60% no orçamento com a queda para a Série B.
“A queda de Série A para Série B é brutal. A Série A você consegue, pelo menos, uma receita entre R$ 100 milhões a R$ 110 milhões. A Série B é um cenário total de incerteza. A gente nem sabe ainda quanto que é o valor da televisão. Os valores dos patrocínios são reduzidos”, disse.
Por outro lado, o cartola garante que os investimentos feitos nas categorias de base, em compras de atletas para revenda vão dar sustentação para o Cuiabá neste ano e nas duas próximas temporadas.
Planos para 2025
Cristiano garantiu que o Cuiabá terá um time competitivo na Série B, mas mantém os pés no chão em relação ao retorno à Série A.
O time, segundo ele, passará por uma “oxigenação”, com a subida de jogadores da base e a chegada de novos atletas que estavam emprestados. Ele assegurou novas contratações, principalmente no ataque.
“Não vou criar nenhum compromisso até porque a gente tem uma filosofia de pés no chão. A gente vai sim fazer investimentos importantes comparado com os clubes da Série B, vamos ter um time muito competitivo e os resultados vão depender do ambiente que a gente criar lá dentro, da fome, da vontade dos jogadores”, concluiu.
Assista a entrevista na íntegra: