sexta-feira, 23 de outubro de 2026
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LIVROS SUPERFATURADOS

Aliado de Abilio preside CPI de compras suspeitas e diz acreditar que prefeito não sabia

Colegiado foi instalado após mais de três meses de impasse e terá todos os integrantes ligados à base de apoio do prefeito na Câmara

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar suspeitas de irregularidades e superfaturamento de R$ 80 milhões em compras de material educacional pela Prefeitura de Cuiabá começa os trabalhos sob questionamentos sobre sua isenção. O presidente do colegiado, vereador Demilson Nogueira (PP), que também é vice-líder do prefeito Abilio Brunini (PL) na Câmara, afirmou acreditar que o chefe do Executivo não tinha conhecimento das aquisições investigadas.

A declaração foi feita nesta quinta-feira (22), quando o parlamentar foi questionado sobre a possível participação de Abilio nas compras realizadas pela Secretaria Municipal de Educação durante a gestão do ex-secretário Amauri Monge.

Embora tenha afirmado que o assunto será apurado ao longo dos trabalhos, Demilson argumentou que o próprio prefeito denunciou as supostas irregularidades ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público, o que, na avaliação dele, afastaria a participação de Abilio no caso.

“No decorrer aí a gente fica sabendo, mas eu creio que não, até porque quem denunciou tudo isso ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público foi o próprio prefeito Abilio. Então, se ele denuncia, com certeza ele não é partícipe”, afirmou.

O pedido de abertura da CPI havia sido aprovado há mais de 60 dias, mas a instalação ocorreu somente após um impasse de mais de três meses no Legislativo municipal. Segundo Demilson, a demora foi provocada pela falta de quórum no Colégio de Líderes para deliberar sobre a composição da comissão.

Diante da ausência de uma definição, a presidência da Câmara recorreu ao regimento interno para constituir o colegiado. A primeira reunião de trabalho está marcada para esta sexta-feira (23), quando os integrantes devem definir o cronograma das investigações, requisitar documentos oficiais e iniciar as oitivas de fiscais, empresas e demais envolvidos.

O presidente afirmou que a comissão pretende aprofundar as apurações sobre as aquisições, que, segundo ele, apresentam indícios de irregularidades.

“Buscar todas aquelas situações que inclusive, vocês da imprensa noticiaram. As aquisições feitas, todas de forma grotesca, tranquilamente, apontando superfaturamento, aquisição indevida, enfim, uma série de coisas que só trouxeram prejuízo ao município de Cuiabá”, pontuou.

Isenção

A composição da CPI também provocou críticas, já que todos os vereadores indicados para integrar o colegiado fazem parte da base de apoio ao governo municipal na Câmara.

Questionado se o alinhamento político poderia comprometer a credibilidade das investigações, Demilson rejeitou a possibilidade e afirmou que a condição de governista ou oposicionista não interfere no exercício do mandato parlamentar.

“Nós continuamos vereadores… Ser oposição ou ser base é uma denominação que se dá. Todos aqui somos vereadores e com representação dada pelo povo de Cuiabá”, declarou.

O parlamentar ainda afirmou que continuará atuando de forma independente na condução dos trabalhos e destacou a votação que recebeu nas eleições municipais.

“Eu vou continuar fazendo o trabalho que eu tenho que fazer, até porque eu sou legitimado por 3.211 cuiabanos”, concluiu.

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