O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) espera que os três réus julgados nesta terça-feira (29) pela morte do advogado Roberto Zampieri sejam condenados a penas próximas do máximo de 30 anos de reclusão. O julgamento começou às 9h, no Plenário do Júri do Fórum de Cuiabá.
Em entrevista no Fórum, o promotor de Justiça Samuel Frungilo afirmou que a acusação pede a condenação dos três por homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras apontadas pelo Ministério Público são o pagamento ou promessa de recompensa, o emprego de arma de uso restrito e o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
“O pedido do Ministério Público é que eles sejam condenados por homicídio triplamente qualificado. Acredito que a pena se aproximará do máximo de trinta anos”, afirmou Frungilo.
A sessão é presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal. Estão no banco dos réus o executor Antônio Gomes da Silva, o instrutor de tiro Hedilerson Fialho Martins Barbosa, apontado como responsável por intermediar a ação e fornecer a arma, e o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de financiar e articular a execução.
Mandantes
Questionado sobre os mandantes do crime, Frungilo confirmou que as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Polícia Federal apontam o casal de fazendeiros Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Manoel de Rondon, de Rondonópolis, como responsáveis por ordenar a execução.
Segundo o promotor, porém, um inquérito complementar foi instaurado a pedido do MPMT para apurar a eventual participação de outras pessoas no crime.
Além do julgamento pelo assassinato, os três réus respondem em outro processo por suposta participação em organização criminosa. Conforme a acusação, o processo pode gerar novos reflexos na situação penal do trio, que permanece preso.
Execução
Roberto Zampieri foi assassinado em 5 de dezembro de 2023, em frente ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Segundo a denúncia do MPMT, Antônio Gomes da Silva foi o executor e confessou ter efetuado os disparos após ser contratado para matar o advogado.
Hedilerson Fialho Martins Barbosa é acusado de atuar como intermediário da contratação e de fornecer a arma usada no crime. Já Caçadini é acusado de participar da articulação e do financiamento da execução.
Para o Ministério Público, o assassinato teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, em Ribeirão Cascalheira, avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões.
