quinta-feira, 27 de agosto de 2026
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TRÁFICO INTERNACIONAL

Empresária chora e nega envolvimento: “Fora da minha realidade”

A empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, presa preventivamente durante a Operação Bóreas, afirmou durante audiência de custódia que nunca havia enfrentado problemas com a Justiça antes de ser presa pela Polícia Federal, em Cuiabá.

“Nunca pisei numa delegacia, nunca fui chamada para nada, nunca tive meu nome no Serasa. Para hoje estar aqui na Polícia Federal”, declarou ao juiz federal Jeferson Schneider, titular da 5ª Vara Federal Criminal Especializada de Cuiabá.

A audiência foi realizada por videoconferência na noite de terça-feira (25). Thatiana estava acompanhada do advogado Fernando Faria e de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanhou o ato em razão das prerrogativas profissionais da investigada.

Durante o depoimento, ela afirmou que possui residência fixa em Cuiabá há cerca de 20 anos, mantém um comércio na cidade e possui uma rotina pública.

“Eu tenho comércio na cidade, minha residência é fixa, eu moro há 20 anos em Cuiabá. (…) As redes sociais são abertas”, afirmou.

A declaração foi feita enquanto a defesa tentava demonstrar que a advogada possui vínculos com a cidade e não teria intenção de fugir. Thatiana também disse que sua rotina profissional é conhecida e que mantém as redes sociais abertas ao público.

Filha de 9 anos

A situação da filha de 9 anos também foi apresentada durante a audiência como argumento para a revogação da prisão preventiva ou eventual substituição por prisão domiciliar.

Thatiana explicou que a menina mora com ela, embora os pais não tenham formalizado judicialmente a guarda após o divórcio. Segundo a advogada, os dois mantêm uma relação amigável e chegaram a um consenso sobre a criação da filha.

“A gente se dá super bem. Foi um divórcio amigável e a gente nunca formalizou que a guarda seria minha”, afirmou.

Ela contou que o pai fica com a criança quando não está viajando e que, após a prisão, a menina passou a ficar sob os cuidados dele.

A prisão preventiva foi mantida. Por ser advogada, Thatiana permanecerá na Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso, em razão das prerrogativas profissionais e diante da ausência de sala de Estado Maior.

R$ 84,8 mil são apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados da Operação Bóreas, a Polícia Federal apreendeu R$ 84,8 mil em dinheiro, um telefone celular e um Volkswagen T-Cross branco.

Do total em dinheiro, R$ 75 mil estavam em uma gaveta de um móvel na sala do apartamento de Thatiana. Outros R$ 9,8 mil foram encontrados na mesa de cabeceira do quarto.

Conforme o auto de busca, a advogada afirmou que os R$ 9,8 mil seriam provenientes de um presente de noivado. O documento não apresenta explicação para a origem dos outros R$ 75 mil.

A defesa também questiona a forma como o celular foi recolhido. Segundo Fernando Faria, os agentes teriam obrigado Thatiana a desbloquear o aparelho e um delegado teria acessado o conteúdo antes da formalização da apreensão.

“Imagino que deve ser algo ligado a ele”

Durante a audiência, Thatiana também levantou a possibilidade de que sua prisão tenha relação com o irmão, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, que já foi preso em Tocantins.

“Eu tenho um irmão que está preso fora. Imagino que deve ser algo ligado a ele, por conta do mandado lá de Tocantins”, afirmou.

Márcio foi preso em flagrante em fevereiro de 2025 enquanto pilotava uma aeronave Cessna 210M, prefixo PS-PIX, que pousou irregularmente em uma pista na zona rural de Caseara, no Tocantins, a cerca de 850 quilômetros de Cuiabá.

A aeronave foi abordada por policiais da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) de Goiás e Tocantins e da Polícia Militar de Goiás. No interior foram encontrados aproximadamente 475 quilos de cloridrato de cocaína e pasta base, além de cerca de 787 gramas de maconha e haxixe.

Operação Bóreas

A Operação Bóreas investiga uma organização criminosa suspeita de estruturar voos, disponibilizar aeronaves e utilizar pistas clandestinas para transportar grandes carregamentos de cocaína e armas da Bolívia e do Peru para o Brasil.

Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em Mato Grosso e no Tocantins. A Justiça também determinou a apreensão de aeronaves e o bloqueio e sequestro de bens e valores.

A defesa de Thatiana sustenta que não há elementos suficientes para vinculá-la ao grupo investigado e afirma que não existe relação entre a empresa administrada por ela e o esquema.

Thatiana é sócia-administradora de uma empresa ligada ao Tatu Bola Bar, na região da Praça Popular, em Cuiabá. Até o momento, não há informação oficial de que o estabelecimento seja investigado ou tenha sido alvo da operação.

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