O ex-prefeito de Várzea Grande, Kalil Baracat (MDB), rebateu as declarações da prefeita Flávia Moretti (PL), que decretou situação de calamidade financeira e fiscal no município e no Departamento de Água e Esgoto (DAE). Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (16), o emedebista negou responsabilidade pela crise apontada pela atual gestora e afirmou que ela tenta transferir para administrações passadas os problemas enfrentados pelo município.
Ao anunciar o decreto, Flávia atribuiu a medida às dívidas deixadas pela gestão anterior e também à Câmara Municipal, presidida por Wanderley Cerqueira (MDB), por não aprovar projetos que permitiriam ao Executivo utilizar recursos federais, como emendas parlamentares.
Na gravação, Kalil classificou como “inadmissível” a tentativa de responsabilizar sua administração pela situação financeira de Várzea Grande. Segundo ele, o mandato foi encerrado com aprovação superior a 60% e com as contas organizadas.
“Não transfira a irresponsabilidade nem a incompetência da sua administração para gestões passadas”, declarou.
O ex-prefeito também contestou as acusações relacionadas aos precatórios. Embora reconheça que o município possui dívidas herdadas de governos anteriores, afirmou que, durante sua gestão, os pagamentos foram feitos dentro do prazo.
“Eu vinha pagando rigorosamente em dias. Nunca atrasei”, afirmou, cobrando que a prefeita esclareça a origem dos débitos para evitar que sejam atribuídos ao seu mandato.
Outro ponto questionado por Kalil foi o valor da dívida divulgado pela Prefeitura. Segundo ele, a gestão de Flávia apresentou números divergentes, que variam entre R$ 65 milhões e R$ 100 milhões.
“Se a dívida fosse de R$ 65 milhões, eu deixei mais de R$ 65 milhões nas contas da Prefeitura”, disse, acrescentando que também ficaram recursos provenientes de emendas parlamentares e repasses estaduais.
Durante o pronunciamento, o ex-prefeito pediu que os órgãos de controle acompanhem a administração municipal e fez críticas à condução da atual gestão.
“Infelizmente, onde não tem planejamento, onde só tem incompetência. E continuam trabalhando só com mentiras e transferindo responsabilidade. Fica aqui o nosso pedido aos órgãos de controle. Que acompanhem bem de perto a cidade de Várzea Grande. O que eu tenho acompanhado pelos veículos de comunicação é investigação da polícia e indícios de corrupção”, afirmou.
Kalil também criticou a destinação de recursos para eventos enquanto, segundo ele, áreas prioritárias enfrentam dificuldades.
“A senhora preferiu pegar os recursos alocados no município e fazer festa. Não sou contra festa. Também gosto de festa. Mas nós temos que estabelecer a prioridade. A população não é boba”, declarou.
Ao defender sua gestão, o emedebista destacou investimentos superiores a R$ 200 milhões no DAE, ampliação da produção de água, pavimentação de aproximadamente 250 quilômetros de vias, construção de mil moradias populares e avanços na saúde, como a implantação do primeiro CAPS III de Mato Grosso e a ampliação da cobertura da atenção básica.
“Na atual gestão não tem nada disso. O que se ouve é muita corrupção, muita festa. Não tem prioridade na atual gestão. E o que se tem é jogando a responsabilidade para trás, para os ex-gestores. Eu acho que o momento de vocês é focar, aprender a trabalhar. E aqui estão os números, gente. E toda vez que houver mentira e o meu nome for citado, eu vou estar aqui falando a verdade”, concluiu.
Veja:
