O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Dirceu dos Santos, negou qualquer irregularidade em sua conduta após ser afastado do cargo pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O magistrado é investigado por suposta venda de sentenças e movimentação financeira de R$ 14,6 milhões, valor considerado incompatível com os subsídios da magistratura.
Em nota oficial, o desembargador afirmou que está colaborando integralmente com a Corregedoria Nacional de Justiça e que colocou seu sigilo à disposição. Segundo a defesa, os valores citados na investigação constam em sua declaração de Imposto de Renda, o que demonstraria “transparência e absoluta regularidade”.
O afastamento, assinado pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, visa preservar a credibilidade do Judiciário enquanto as apurações avançam. Além do afastamento, equipes da Polícia Federal estiveram no gabinete do magistrado para realizar o espelhamento de dispositivos eletrônicos e a extração de dados.
PATRIMÔNIO SOB SUSPEITA
O relatório da Corregedoria aponta que, entre 2021 e 2023, houve uma variação patrimonial “a descoberto”, com uma diferença de R$ 1,9 milhão apenas no último ano analisado. A suspeita é de que o desembargador tenha recebido vantagens indevidas para proferir decisões, utilizando empresários e advogados como intermediários.
