O candidato ao Senado por Mato Grosso, Antônio Galvan (Avante), questionou a diferença entre feminicídio e homicídio ao comentar o aumento dos casos de violência contra mulheres no Estado. Durante entrevista, ele afirmou que também deveria haver atenção para casos em que mulheres matam homens e criticou a existência de leis específicas para cada gênero.
“Não tem que ter lei para homem e/ou mulher. Quando se diferenciam as leis, ficam parecendo cotas”, afirmou Galvan, antes de questionar os jornalistas sobre quem seria favorável às cotas.
Na sequência, o candidato citou casos de mulheres que matam homens e disse não perceber a mesma ênfase dada aos feminicídios. “Seja a mulher matar o homem, porque também tem e tem muito desse crime, eu não vejo dar tanta ênfase nisso também, como o inverso”, declarou.
Galvan defendeu que o poder público priorize a prevenção da violência e a identificação de conflitos familiares antes que eles evoluam para agressões graves ou mortes. Segundo ele, o acompanhamento psicológico poderia ajudar a identificar os problemas enfrentados pelas famílias.
“O que eu acho que é a causa? É essa desagregação dentro de casa. Você tem que buscar para saber o que está acontecendo com aquela família. Tem tanto psicólogo aí para você poder tratar desse assunto e ver qual é o problema”, disse.
Na avaliação do candidato, homicídios e feminicídios não costumam acontecer de forma isolada, mas seriam precedidos por conflitos que se agravam ao longo do tempo.
“Porque ninguém chega de primeira vez e comete um homicídio ou um feminicídio”, afirmou.
O candidato também relacionou a chamada desestruturação familiar às dificuldades financeiras. Para ele, problemas econômicos podem aumentar os conflitos dentro de casa e contribuir para situações de violência.
“A família está desestruturada, não tem mais condições financeiras de poder manter os filhos, pagar as despesas de casa, e começa a virar uma guerra dentro de casa”, declarou.
As declarações ocorreram durante uma entrevista na qual Galvan também defendeu que o combate aos feminicídios não fique concentrado apenas no endurecimento das penas, mas avance sobre as causas que antecedem os crimes.
Cenário
Entre janeiro e agosto deste ano, 31 mulheres foram mortas em Mato Grosso, conforme dados já divulgados.
No mesmo período, a Operação Mulher Segura, coordenada pelas forças de segurança do Estado, intensificou as ações de combate à violência doméstica. Desde o início da operação, em junho, até o momento, 1.097 homens foram presos por crimes relacionados à violência contra mulheres.
Do total, 967 prisões ocorreram em flagrante e mais de 130 foram cumpridas por meio de mandados de prisão preventiva. A operação segue até dezembro, com ações voltadas à prevenção e repressão da violência contra a mulher em Mato Grosso.
