quinta-feira, 20 de agosto de 2026
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OPERAÇÃO FALSO SORRISO

Funcionária é investigada por desviar R$ 100 mil de clínica odontológica e aplicar golpes em pacientes

Suspeita teria usado acesso ao sistema da empresa para cobrar pacientes por Pix e cartão e desviar os pagamentos para contas sob seu controle

Uma funcionária de 31 anos é investigada por suspeita de desviar dinheiro de uma clínica odontológica e aplicar golpes contra pacientes em Cuiabá. O prejuízo estimado já ultrapassa R$ 100 mil. A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (20), a Operação Falso Sorriso para apurar o esquema.

A ação é conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) da Capital e cumpriu três mandados de busca e apreensão, além de medidas para afastamento do sigilo de dados telemáticos. As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá.

Segundo as investigações, a mulher trabalhava nos setores administrativo e financeiro de uma clínica localizada no bairro Campo Velho. Por ter conquistado a confiança dos proprietários e funcionários, ela tinha acesso ao sistema de gestão, dados de pacientes, contratos, parcelas e registros de pagamentos.

A suspeita teria usado esse acesso para abordar pacientes pessoalmente ou pelo WhatsApp e oferecer descontos para que os pagamentos fossem feitos por Pix, links, QR Codes ou máquinas de cartão vinculadas a contas sob seu controle.

Após receber os valores, ela teria alterado os registros internos da clínica para que os pacientes aparecessem como inadimplentes regularizados. Com isso, os tratamentos continuavam normalmente, mesmo sem que os pagamentos fossem repassados ao caixa da empresa.

A investigação também identificou suspeitas de recebimentos em dinheiro, alteração de datas de vencimento e cobranças feitas em nome da clínica. Em alguns casos, os pacientes teriam sido ameaçados de negativação caso não realizassem os pagamentos.

Esquema foi descoberto após denúncia

O esquema começou a ser descoberto depois que uma paciente procurou os proprietários da clínica e informou ter feito um Pix diretamente para a conta pessoal da então funcionária.

A partir da denúncia, a empresa iniciou uma apuração interna e identificou mais de 15 pacientes que teriam passado por situações semelhantes. Os contratos inicialmente identificados já somavam mais de R$ 50 mil.

Com a inclusão de tratamentos realizados sem que os respectivos pagamentos entrassem no caixa, o prejuízo estimado pela investigação pode superar R$ 100 mil.

Mesmo após ser demitida por justa causa, a mulher teria continuado entrando em contato com pacientes e se apresentado como funcionária da clínica. Conforme a Polícia Civil, ela ainda teria realizado novas cobranças em nome do estabelecimento.

Durante a operação, os policiais apreenderam celulares, computadores, máquinas de cartão, documentos e outros materiais que podem ajudar a identificar novas vítimas e dimensionar o prejuízo.

O material será analisado pela Polícia Civil e, quando necessário, encaminhado para perícia.

A investigada poderá responder por crimes como furto qualificado mediante fraude, furto qualificado pelo abuso de confiança e estelionato, além de outros delitos que possam ser identificados durante as investigações.

A Polícia Civil segue apurando o caso para identificar possíveis novas vítimas e esclarecer a participação da investigada.

O nome da operação, Falso Sorriso, faz referência ao segmento odontológico em que os crimes teriam ocorrido e à relação de confiança que, segundo a investigação, teria sido utilizada para viabilizar os desvios e golpes contra pacientes.

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