sexta-feira, 7 de agosto de 2026
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CRISE NO PL

Wellington troca vice e aposta em ex-PT para tentar chegar ao Governo

Escolha de Alencar Farina resgata antiga aliança com o senador e pode aumentar a pressão da ala bolsonarista sobre a candidatura ao Governo

O senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, trocou o nome indicado para ser seu vice e escolheu o médico Alencar Farina, ex-integrante do PT e antigo aliado do campo da esquerda. A mudança, além de provocar uma crise com o Novo, que havia indicado o empresário Marcelo Maluf para a vaga, reforça a pecha de “melancia” atribuída por bolsonaristas radicais ao senador, político que seria “verde por fora e vermelho por dentro”.

A escolha de Farina também resgata pontes históricas de Wellington com o campo progressista e tem potencial para reacender a disputa interna no PL de Mato Grosso. Uma ala da legenda mais identificada com o bolsonarismo já questionou publicamente a candidatura do senador ao Palácio Paiaguás, e o histórico de alianças com partidos de esquerda é uma das principais munições utilizadas por seus adversários internos.

Farina, por sua vez, não chega à chapa como um nome estranho à política. Sua trajetória é marcada por mudanças partidárias e pela circulação entre grupos políticos de diferentes espectros ideológicos.

Em 2004, quando ainda estava no PL, Farina foi escolhido para ser candidato a vice-prefeito de Cuiabá na chapa encabeçada por Alexandre César, do PT. A aliança reunia PT, PL e PC do B. A chapa chegou ao segundo turno e terminou a eleição com 47,15% dos votos válidos, derrotada por Wilson Santos (PSDB).

A aproximação com o campo petista se aprofundaria nos anos seguintes. Em 2008, Farina já aparecia entre os candidatos a vereador de Cuiabá pelo PT. Naquele mesmo ciclo, seu nome chegou a ser tratado dentro do partido como uma possibilidade para a disputa majoritária na Capital. Na foto que ilustra a matéria, é possível ver Farina, de branco, no meio, ao lado dos colegas segurando a bandeira do partido. O registro é de abril de 2008.

Quatro anos depois, o médico voltou ao centro das articulações eleitorais. Em 2012, o PT lançou Farina como pré-candidato à Prefeitura de Várzea Grande. A candidatura foi homologada depois que Cida Cortez, presidente do Sintep no município, desistiu da disputa interna.

A relação de Farina com Wellington, entretanto, não é recente. Em 2003, quando decidiu entrar na política, o médico deixou o PMDB e ingressou no PL. Sua filiação foi abonada pelo então vice-presidente José Alencar, em encontro liderado pelo presidente regional do partido, Wellington Fagundes. Naquele momento, Farina era apresentado como pré-candidato à Prefeitura da Capital.

O movimento de agora, portanto, fecha um círculo iniciado mais de duas décadas atrás: Farina entrou na política pelo PL sob a influência de Wellington, migrou para o PT, disputou eleições associado ao campo da esquerda e retorna ao grupo do antigo aliado para compor uma chapa que pretende chegar ao governo do Estado.

Contudo, a escolha de Farina pode ter efeito inverso ao pretendido para a unidade interna do PL. Ao levar para a chapa um médico que já esteve no PT e que construiu parte de sua trajetória política ao lado de lideranças da esquerda, Fagundes oferece novos argumentos à ala que tenta questionar sua identidade política dentro do partido.

O problema para o senador é que a disputa pelo governo ocorre em um momento no qual o PL mato-grossense tenta conciliar duas forças: de um lado, a estrutura partidária construída por Fagundes ao longo de décadas; de outro, a militância bolsonarista que ingressou na legenda nos últimos anos e passou a exigir maior alinhamento ideológico.

Farina se torna, assim, mais do que um candidato a vice. Sua escolha expõe a contradição central da campanha de Fagundes: um candidato que precisa do eleitorado bolsonarista para disputar o governo, mas que carrega uma trajetória política construída antes da atual polarização e marcada por alianças que atravessaram a esquerda e a direita.

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