sexta-feira, 31 de julho de 2026
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APÓS FRACASSOS

Carlinhos Bezerra volta ao banco dos réus por mortes de ex-companheira e namorado em Cuiabá

ulgamento havia sido adiado após defesa abandonar o plenário; Justiça rejeitou novo pedido de adiamento e manteve a juíza Mônica Perri na condução do júri

O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, volta a ser julgado pelo Tribunal do Júri nesta sexta-feira (31), no Fórum de Cuiabá. Réu confesso, ele responde pelos assassinatos da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian César Moreno, mortos em janeiro de 2023, na Capital.

A sessão está marcada para começar às 9h e será presidida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, titular da 1ª Vara Criminal de Cuiabá. Carlinhos Bezerra permanece preso preventivamente no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas.

O julgamento estava inicialmente marcado para o dia 21 de julho, mas foi adiado após os advogados do empresário abandonarem o plenário. Na ocasião, a defesa alegou a existência de um “arcabouço de problemas” no processo que, segundo ela, comprometia o direito de defesa.

Nesta semana, os advogados voltaram a pedir o adiamento da sessão e o afastamento da juíza Mônica Perri da condução do júri. O requerimento, porém, foi negado pela Justiça, que manteve a magistrada responsável pelo julgamento, confirmou a realização da sessão nesta sexta-feira e preservou a prisão preventiva do acusado.

Em coletiva de imprensa concedida na quinta-feira (30), um dos advogados de defesa, Elson Marcelino da Silva, afirmou que as sucessivas medidas apresentadas têm como objetivo garantir um julgamento justo e assegurar o pleno exercício do direito de defesa.

Segundo ele, há preocupação com possíveis represálias por parte de autoridades e operadores do Direito em razão da influência política do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), pai do réu.

“Com relação ao pai dele ter sido governador, eu digo que sim. Nós sofremos um entrave muito grande. As pessoas não querem se mexer, não querem tomar partido, não querem fazer algo com medo da represália, com medo do que vai ser dito na mídia. A influência política aqui, ainda mais em ano eleitoral, é um absurdo. Ninguém quer fazer nada com receio”, declarou.

O advogado também negou que os recursos apresentados tenham relação com a condição financeira de Carlinhos Bezerra e afirmou que a estratégia adotada é a mesma utilizada em qualquer processo criminal.

Apesar disso, Elson Marcelino não descartou a possibilidade de a defesa abandonar novamente o plenário caso entenda que não há condições para exercer plenamente o direito de defesa durante a sessão.

O crime

O duplo homicídio ocorreu na noite de 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá.

Na ocasião, Thays Machado, de 44 anos, e Willian César Moreno, de 30, haviam acabado de guardar um veículo na garagem do prédio onde mora a mãe dela e aguardavam a chegada de um carro por aplicativo quando foram surpreendidos por Carlinhos Bezerra, que chegou dirigindo um Renault Kwid e efetuou diversos disparos contra o casal.

Conforme a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Thays foi atingida por três tiros, sendo dois nas costas e um no quadril. Já Willian foi baleado no braço esquerdo e no peito.

À época do crime, Thays era servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), enquanto Willian atuava como empresário em São Paulo.

Réu confesso, Carlinhos Bezerra responde por dois homicídios qualificados e aguarda o julgamento preso preventivamente. O Conselho de Sentença decidirá se ele será condenado ou absolvido pelo duplo assassinato.

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