O julgamento do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado de matar a ex-companheira Thays Machado e o namorado dela, Willian César Moreno, foi adiado na manhã desta terça-feira (21), no Fórum de Cuiabá. Após a defesa abandonar o plenário alegando falta de tempo para analisar todo o material do processo, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira remarcou o Tribunal do Júri para o próximo 31 de julho, às 9h.
A suspensão ocorreu depois que a magistrada negou um novo pedido da defesa para adiar a sessão. Segundo a juíza, todos os requerimentos apresentados ao longo da tramitação do processo já haviam sido apreciados.
“Todos os pedidos feitos pela defesa foram analisados. Dizer que o réu está indefeso vai depender dos advogados”, afirmou a magistrada antes de determinar o início da oitiva das testemunhas.
Após a decisão, o advogado Elson Marcelino da Silva Júnior deixou o plenário. Diante da situação, a juíza intimou Carlos Alberto a constituir um novo defensor. Caso isso não ocorra, a Defensoria Pública assumirá a defesa no julgamento.
Antes da sessão, Elson Marcelino afirmou que a defesa recebeu apenas sete dias para analisar 109 gigabytes de arquivos digitais disponibilizados recentemente, além de outros processos relacionados ao caso que, segundo ele, só foram disponibilizados às vésperas do júri.
“Foi fornecido para nós na quarta-feira anterior. Nós tivemos sete dias para analisar 109 gigabytes de material. Depois ainda fomos informados de outros dois processos aos quais não tínhamos acesso, sendo que um deles possui mais de mil páginas”, declarou.
O advogado também voltou a defender a realização de um exame de sanidade mental no réu, argumentando que o pedido não tinha o objetivo de impedir o julgamento.
“Nós queremos tão somente um julgamento justo. Não estamos buscando impunidade. Inclusive, mesmo que o exame fosse deferido, ele continuaria preso”, afirmou.
Outro ponto questionado pela defesa são as anotações pessoais atribuídas a Carlos Alberto, utilizadas pela acusação para sustentar que ele perseguia a ex-companheira antes do crime.
Segundo o advogado, os registros foram apresentados de forma incompleta.
“Quando você retira recortes de um contexto maior, cria-se essa sensação de perseguição. O senhor Carlos anotava absolutamente tudo desde 2021 e 2022. Se os documentos forem apresentados integralmente, muita coisa muda”, disse.
Carlos Alberto Gomes Bezerra responde pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian César Moreno. O casal foi morto a tiros em janeiro de 2023, em frente a um edifício no bairro Consil, em Cuiabá. O empresário segue preso no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas enquanto aguarda o novo julgamento.
