Luiz Rodrigues – Da CBN Rede
O cinema brasileiro voltou a chamar a atenção da imprensa internacional pelo segundo ano consecutivo ao sair da cerimônia do Globo de Ouro com dois troféus. ‘O Agente Secreto’ venceu na categoria de melhor filme em língua não inglesa, e Wagner Moura recebeu a estatueta de melhor ator em filme de drama.
O reconhecimento reforça o bom momento do cinema nacional na corrida por premiações internacionais e reacende a pergunta: o Brasil está mais perto do Oscar?
Em entrevista ao Estúdio CBN, a crítica de cinema e votante do Globo de Ouro Mariana Morisawa destacou a forte recepção do filme no exterior e a capacidade da obra de dialogar com públicos de fora do Brasil.
“O filme é muito brasileiro. Eu fiquei pensando se as pessoas iam entender, captar as nuances. E lá eu percebi que entendem, sim. As pessoas captam, se envolvem.”
Mariana citou um encontro com um ator da série The Pitt, durante um evento em Los Angeles, como exemplo desse impacto. “Ele me disse: ‘Nossa, você é do Brasil? Eu vi O Agente Secreto. Me senti transportado para o Brasil de 1977’. Ele falou que, logo na primeira cena, já sentiu o clima do país naquela época”, relata.
Segundo a crítica, a agenda intensa de eventos e exibições mostra que, mesmo após o Globo de Ouro, o filme segue em campanha. “O Globo de Ouro já passou, mas a campanha continua. Essa semana está cheia de eventos aqui em Los Angeles”, conta.
O caminho até o Oscar
Para Mariana, a vitória no Globo de Ouro pode ser decisiva na trajetória rumo ao Oscar. Ela relembrou o caso de Fernanda Torres, vencedora do Globo de Ouro em 2025 por Ainda Estou Aqui.
“Se a Fernanda não tivesse ganhado o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama, talvez nem tivesse sido indicada ao Oscar. Isso ajuda muito. Mesmo que os votantes do Globo de Ouro não sejam os mesmos da Academia, tudo isso faz parte da campanha. O Oscar é campanha.”
Expectativa antes da vitória
Mariana também contou que já havia um clima de confiança nos dias que antecederam a premiação. “Quando cheguei aqui, comecei a ouvir comentários muito positivos de pessoas que eu não esperava, amigos que votam tanto no Globo de Ouro quanto no Critics’ Choice, além de outras pessoas da indústria. Todo mundo falando muito bem de O Agente Secreto. Isso me deu bastante confiança de que o filme ganharia, disse.
Ao comentar o processo de votação, a crítica explicou que a estrutura do Globo de Ouro mudou após as denúncias de corrupção e falta de diversidade em 2019. Hoje, 38 brasileiros fazem parte do corpo de votantes.
“Eles passaram a admitir novas pessoas com a ajuda de associações de críticos do mundo inteiro. Primeiro quem morava nos Estados Unidos e depois também quem vive fora. Hoje, são cerca de 300 votantes”, explica.
Segundo Mariana, a premiação é organizada por uma entidade chamada Globo de Ouro, atualmente controlada pela Dick Clark Productions e pela Penske Media, grupo dono de veículos como Variety e Hollywood Reporter.
