quinta-feira, 29 de outubro de 2026
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OPERAÇÃO POLICIAL

Influenciadora é presa por suspeita de golpes que causaram prejuízo de R$ 414 mil

Segunda fase da Operação Rede Oculta cumpre 20 ordens judiciais; um dos cinco alvos continua foragido

A influenciadora digital Aryadna Cristina, de 24 anos, foi presa preventivamente nesta quinta-feira (29), durante a segunda fase da Operação Rede Oculta, da Polícia Civil, que investiga um grupo suspeito de aplicar golpes pela internet e lavar dinheiro em Mato Grosso. Ela foi detida com o companheiro, de 26 anos, no bairro Tijucal, em Cuiabá. Ao todo, quatro pessoas foram presas, enquanto o quinto alvo segue foragido.

A operação cumpre 20 ordens judiciais contra cinco investigados, incluindo mandados de prisão preventiva, buscas domiciliares, sequestro de veículos e autorizações para quebra de sigilo telemático dos aparelhos apreendidos. As medidas foram expedidas pelo Núcleo do Juízo das Garantias da Regional 1 de Cuiabá.

Também foram presas uma mulher de 35 anos, moradora do bairro São Benedito, em Várzea Grande, e o marido dela, de 41 anos. Segundo a Polícia Civil, o homem já havia sido preso por envolvimento em fraudes eletrônicas, conquistou a liberdade e voltou a ser detido nesta quinta-feira.

Durante a operação, os policiais apreenderam um Toyota Corolla Cross híbrido, registrado em nome de um terceiro, mas que, conforme as investigações, era utilizado pelos suspeitos. Os celulares recolhidos serão submetidos à extração de dados, mediante autorização judicial.

Como funcionava o esquema

Segundo a investigação, o grupo abordava vítimas pela internet, por meio de redes sociais e plataformas de compra e venda. Entre as modalidades identificadas estão falsos anúncios de veículos, o golpe do falso parente e o do falso funcionário de banco.

Após as transferências via Pix, os valores eram divididos entre diversas contas bancárias de terceiros, em quantias inferiores a R$ 10 mil. Posteriormente, o dinheiro era concentrado em uma das pessoas investigadas e redistribuído. A polícia aponta que os recursos eram convertidos em veículos de alto valor e joias, exibidos nas redes sociais.

O prejuízo já identificado soma R$ 414.093. Há vítimas em Mato Grosso e também nos estados do Rio de Janeiro e do Pará.

De acordo com a apuração, uma das mulheres investigadas coordenava um subnúcleo do grupo e recrutava pessoas para ceder contas bancárias utilizadas no esquema. Aryadna, que se apresentava nas redes sociais como influenciadora digital, também é citada na investigação por exibir um padrão de vida que, segundo a polícia, seria incompatível com a renda declarada.

Suspeito continuava a orientar esquema da prisão

A investigação aponta ainda que o homem de 41 anos continuava a orientar a movimentação dos recursos mesmo após ter sido colocado em liberdade recentemente, com auxílio da esposa, também presa nesta fase da operação.

Ele é apontado pela polícia como integrante de uma facção criminosa. Durante a ação, foi encontrada com ele uma pequena quantidade de entorpecentes, o que levou à lavratura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por posse de drogas para consumo pessoal.

Os investigados foram indiciados por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

“A segunda fase da Operação Rede Oculta encerra um trabalho de investigação que começou com denúncias anônimas e avançou com a análise técnica do material apreendido e dos dados financeiros”, afirmou o delegado Ruy Peral, responsável pela operação.

Segundo o delegado, o cumprimento das ordens judiciais busca atingir tanto os suspeitos de participação nos golpes quanto o patrimônio supostamente formado com o dinheiro das vítimas.

Primeira fase

A primeira fase da Operação Rede Oculta foi deflagrada em 27 de maio de 2024, com o cumprimento de 30 ordens judiciais contra 15 investigados em Cuiabá e Várzea Grande. Na ocasião, foram apreendidos bens e celulares, incluindo um Jeep Compass avaliado em cerca de R$ 153 mil.

As investigações começaram em 2023, após denúncias anônimas. A análise dos materiais apreendidos, de laudos periciais da Politec e de dados financeiros obtidos com autorização judicial permitiu aprofundar a apuração e identificar a participação atribuída aos alvos da nova fase.

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