terça-feira, 6 de outubro de 2026
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EM GRUPOS DE WHATS

Estudantes de Economia da UFMT são denunciados por mensagens racistas e misóginas

Centro Acadêmico repudiou manifestações e afirmou que conteúdo não pode ser tratado como simples opinião ou debate político

Estudantes do curso de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, foram denunciados por publicar mensagens de cunho racista e misógino em grupos de WhatsApp utilizados por alunos da graduação. Os episódios ocorreram nos dias 3 e 4 de outubro, e o caso foi levado à Polícia Civil no domingo (4), com registro de boletim de ocorrência por injúria racial e racismo.

Segundo a ocorrência, um homem de 31 anos relatou que um colega do mesmo curso teria publicado mensagens de conteúdo machista e racista em um dos grupos.

O caso foi encaminhado à 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá, responsável pela Repressão aos Crimes de Menor Potencial Ofensivo, que adotará as providências cabíveis.

De acordo com o Centro Acadêmico, as primeiras manifestações racistas foram publicadas na noite de sábado (3). Após os episódios, os estudantes apontados como responsáveis foram removidos do grupo, que passou a ser restrito aos administradores.

Durante a madrugada de domingo, novas mensagens de conteúdo racista e misógino teriam sido compartilhadas em outro grupo, pertencente e administrado pela Atlética Monopólio.

Em nota de repúdio, o Centro Acadêmico afirmou que foram enviados áudios, mensagens e figurinhas considerados explicitamente racistas e misóginos.

Entre os registros citados pela entidade está o compartilhamento de uma imagem em que uma mulher negra aparece realizando um exame de ultrassom, enquanto a imagem atribuída ao filho aparece como a de um macaco.

Outra mensagem mencionada pelo Centro Acadêmico dizia: “Por causa de vc os preto lá ta achando q tem direito agora”. Segundo a entidade, a frase faria referência à restrição do primeiro grupo após as manifestações.

Também foram compartilhados áudios com conteúdo misógino. Em um deles, conforme o Centro Acadêmico, um estudante afirma: “Vai tomar no c*, por isso tem que ser contra as muié mesmo… eu sou a favor da minha mulher e da minha filha, o resto das mulher tem que se fud** mesmo”.

Na nota, a entidade afirmou que as manifestações não podem ser tratadas como mero debate político ou opinião.

“Tais manifestações não constituem mero debate político ou opinião. São expressões de racismo, misoginia e violência que atingem diretamente a dignidade de mulheres e da população negra. Repudiamos veementemente qualquer tentativa de naturalizar ou relativizar esse tipo de comportamento”, diz trecho da nota.

O Centro Acadêmico também criticou o fato de as manifestações terem ocorrido em grupos ligados à comunidade estudantil e esportiva e afirmou que o silêncio diante de condutas dessa natureza contribui para a normalização desses comportamentos.

Apuração

A UFMT informou que a denúncia relacionada às manifestações atribuídas a estudantes de Economia foi encaminhada nesta segunda-feira (5) pela Ouvidoria da universidade à unidade competente, que já adotou as providências administrativas cabíveis.

Segundo a instituição, o procedimento segue as normas previstas na legislação e no Regimento Disciplinar do Corpo Discente. Como a apuração tramita sob sigilo, a UFMT informou que não pode divulgar nomes, número de envolvidos ou o conteúdo das manifestações.

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