Gustavo Castro
O policial penal Nazil Santos Silva e a ex-professora contratada da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) Karoliny Cardoso Viegas foram alvos de uma operação deflagrada na manhã desta quarta-feira (9), que investiga um esquema de entrada clandestina de celulares e outros objetos ilícitos no Centro de Ressocialização de Várzea Grande. Segundo a investigação, os dois utilizavam o acesso privilegiado à unidade prisional para facilitar a entrada dos materiais destinados a presos ligados a uma facção criminosa.
Conforme a Gerência de Combate ao Crime Organizado e a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), Karoliny aproveitava o acesso autorizado ao presídio para transportar clandestinamente celulares e outros itens aos detentos. Já Nazil, valendo-se da condição de policial penal, contribuía para facilitar a entrada dos objetos na unidade.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o esquema funcionava mediante o pagamento de valores por parte dos presos ou de familiares e visitantes cadastrados. Nazil cobrava entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por cada aparelho celular introduzido no presídio.
A Justiça autorizou duas prisões preventivas, dois mandados de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias e o afastamento das funções públicas dos investigados. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 de Cuiabá, com base nas investigações conduzidas pela GCCO/Draco.
Os dois são investigados pelos crimes de corrupção passiva continuada, facilitação e intermediação da entrada de aparelhos telefônicos em estabelecimento prisional e associação criminosa.
Em nota, a Seduc informou que Karoliny não integra mais a Rede Estadual de Ensino desde 8 de março, quando pediu exoneração do cargo.
Pix levantou suspeitas
As investigações tiveram início em junho de 2025, após a análise de materiais apreendidos revelar transferências via Pix destinadas a Karoliny. Os pagamentos teriam sido realizados por reeducandos ou por familiares e visitantes cadastrados na unidade prisional.
As informações identificadas durante a apuração coincidiam com uma denúncia sobre a atuação da ex-servidora e do policial penal na entrada clandestina de celulares e outros objetos no presídio, mediante o recebimento de vantagens financeiras indevidas.
No decorrer das diligências, os investigadores também identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade funcional dos dois servidores.
Segundo a Polícia Civil, Nazil chegou a utilizar a conta bancária da companheira para receber parte dos valores, em uma tentativa de dificultar a identificação e o rastreamento das movimentações.
Acesso privilegiado
Conforme a investigação, o acesso dos dois ao ambiente prisional era fundamental para o funcionamento do esquema. Karoliny utilizava o trânsito autorizado dentro da unidade para transportar os materiais, enquanto Nazil se valia das prerrogativas do cargo de policial penal para contribuir com a entrada dos objetos.
A Polícia Civil aponta que os investigados teriam utilizado justamente o acesso privilegiado à unidade para favorecer a atuação de integrantes da organização criminosa.
Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento cautelar dos dois servidores de suas funções públicas durante o período da investigação.
As buscas realizadas nesta quarta-feira têm como objetivo localizar novos elementos que possam auxiliar na identificação de outros envolvidos e esclarecer a extensão do esquema.
Também foram determinados bloqueios de ativos financeiros de R$ 14,6 mil em nome de Karoliny e de R$ 25,5 mil em relação a Nazil.
