quarta-feira, 19 de agosto de 2026
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'AMIGOS DO W.T'

Jogadores de futebol e assessor de vereador estão entre presos em operação contra o Comando Vermelho

Alex Júnior, o "Soldado", e Brunno Passos, o "Brunninho", foram alvos da Operação Replay; Brunno atua como assessor parlamentar na Câmara de Cuiabá

Além do apontado tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso, Paulo Winter Paelo Farias, o “W.T.”, e da advogada Dayane Karol Moreira, a Operação Replay também teve como alvos os jogadores de futebol Alex Júnior, conhecido como “Soldado”, e Brunno Passos, o “Brunninho”.

Conforme apuração, Brunno ocupa um cargo comissionado de assessor parlamentar no gabinete do vereador Jeferson Siqueira, na Câmara Municipal de Cuiabá. Ele foi nomeado em janeiro deste ano e recebe salário de R$ 2.250, conforme consta no Portal da Transparência.

Deflagrada nesta quinta-feira (30) pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a Operação Replay cumpre 10 mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão, bloqueio de bens e ativos financeiros contra 14 integrantes e colaboradores de uma organização criminosa investigada pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

As ordens judiciais foram cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ).

Novo mandado para W.T.

Mesmo já preso e alvo de operações anteriores da Polícia Civil, W.T. recebeu um novo mandado de prisão preventiva. Segundo a Draco, ele continuava exercendo o comando financeiro e disciplinar da facção de dentro de uma unidade prisional de segurança máxima.

As investigações apontam que mensagens interceptadas mostram o investigado determinando cobranças, autorizando recolhimento de dinheiro, orientando integrantes que estavam em liberdade e conferindo planilhas financeiras da organização criminosa.

Os investigadores também identificaram que o mesmo chip telefônico atribuído a W.T. foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. Para a Polícia Civil, a troca constante dos aparelhos tinha como objetivo dificultar a identificação das comunicações clandestinas e driblar os mecanismos de fiscalização do sistema penitenciário.

Estrutura financeira

Segundo a Polícia Civil, os demais investigados mantinham ativa a estrutura financeira da organização criminosa mesmo após as operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra.

A investigação identificou uma divisão de funções entre os integrantes, com operadores financeiros, uso de contas bancárias de terceiros e aquisição de imóveis e veículos em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível, estratégia utilizada para ocultar recursos da facção.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 15,3 milhões em ativos financeiros e o sequestro de aproximadamente R$ 17,2 milhões em imóveis e veículos, entre eles apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, terrenos e automóveis.

De acordo com a Draco, as medidas buscam atingir a base financeira da organização criminosa, impedir a ocultação do patrimônio e enfraquecer a estrutura responsável por sustentar as atividades ilícitas.

Batizada de Replay, a operação faz referência à repetição das práticas criminosas e à capacidade de reorganização da facção mesmo após operações anteriores da Polícia Civil, motivo pelo qual esta nova fase mira tanto operadores financeiros quanto lideranças que continuavam atuando de dentro do sistema prisional.

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