THAIZA ASSUNÇÃO – DA REDAÇÃO
A Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra o empresário Carlos Alberto pela morte da ex-companheira Thays Machado, de 44 anos, e o namorado dela, Wilian Cesar Moreno, de 30.
Agora, ele passa a ser réu pelo crime de duplo homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e surpresa e impossibilidade de defesa das vítimas. Pelo crime contra Thays, Carlos Alberto ainda passa a responder por feminícidio.
A decisão é desta quarta-feira (1) e é assinada pela juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá .
“Destarte, estando a denúncia em ordem e não sendo caso para as hipóteses do art. 395 do Código de Processo Penal, recebo a denúncia ofertada, na forma posta em Juízo, eis que presentes os indícios de autoria e materialidade e, com fundamento no art. 396 do Código de Processo Penal, determino a citação do acusado Carlos Alberto Gomes Bezerra, nos moldes do Provimento 19/2020”, escreveu a magistrada.
Ela deu prazo de dez dias para o empresário responder à acusação, por escrito.
Na mesma decisão, a magistrada determinou o arquivamento do crime de perseguição contra o empresário. O MPE resolveu não denunciá-lo pelo delito para que ele não seja beneficiado em um futuro júri popular.
Isso porque, segundo o Ministério Público, o crime exige o conhecimento da vítima, bem como cause perturbação da tranquilidade e restrição de liberdade, o que não ocorreu.
O crime de perseguição foi inserido no indiciamento feito contra o empresário pela Polícia Civil, após a descoberta de que ele instalou um localizador no veículo dela quando ainda namoravam e utilizava um caderno para anotar seus passos.
Carlos Alberto, que é filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE).
A denúncia
A denúncia é assassinada pelo promotor de Justiça Jaime Romaquelli, da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá.
No documento, Romaquelli destacou a forma “cruel e covarde” como o empresário agiu.
“Agiu o denunciado de forma cruel e covarde, revelando extrema perversidade, ao agredir as vítimas com diversos disparos de armas de fogo, descarregando uma pistola semiautomática em área urbana de intensa movimentação de pessoas, em plena luz do dia, no horário comercial de um dia útil, causando o risco de vir a atingir também transeuntes que nada tinham a ver com o seu alvo, resultando perigo comum”, escreveu.
O promotor ainda citou que, em relação à ex, Carlos Alberto praticou o crime “num contexto de violência doméstica e familiar e menosprezo à condição de mulher”.
Detalhou que ambos tiveram um relacionamento de dois anos e Carlos Alberto sempre se mostrou ser uma pessoa “extremamente controladora e possessiva”.
E, conforme Romaquelli, após a separação, o empresário passou a “vigiá-la mais intensamente ainda, monitorando-a a todo tempo através de ligações, aplicativos de rastreamento, já planejando a sua morte”.
O promotor de Justiça ressaltou que na madrugada da data do crime, o empresário – utilizando os mecanismos de rastreamento a que tinha acesso – seguiu Thays até ao Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, local em que foi buscar Willian.
No caminho, o casal percebeu que estava sendo seguidos por Carlos Alberto e chegou a parar na Central de Flagrantes e comunicar os fatos.
Mas, no momento em que seria feita abordagem do empresário por policiais daquela unidade, ele arrancou com o veículo e fugiu.
Mais tarde, porém, lembrou Romaquelli, ele cometeu o “crime trágico” contra as vítimas.
Thays e Willian foram mortos a tiros no último dia 18 em frente ao Edifício Solar Monet, em Cuiabá. Eles foram até o edifício, onde mora a mãe dela, para deixar um veículo na garagem.
“Depois de deixar as chaves do veículo da mãe na portaria do prédio, Thays e Willian caminharam até a calçada na frente do edifício para chamarem um Uber, e ali foi o palco dos trágicos delitos tratados abaixo”, concluiu o promotor de Justiça.