O vereador suplente Antônio Lemes (PSD) afirmou, na manhã desta quinta-feira (15), que renunciou à cadeira na Câmara de Cuiabá após sofrer pressão política do titular da vaga, Jefferson Siqueira (PSD). Segundo ele, as cobranças para deixar o cargo começaram após divergências na disputa pela presidência da Mesa Diretora.
“Eu não aguentava mais a pressão na minha cara, no telefone, para eu passar para esse lado, participar de almoço, de jantar”, declarou. Questionado se sofreu ameaças, Lemes negou. “Não chegou a ser ameaça. São pressões de diálogo, pressão política.”
Lemes ocupava a cadeira durante a licença de Jefferson para tratamento de saúde. Segundo o suplente, ele pretendia permanecer no grupo da presidente da Câmara, Paula Calil (PL), enquanto o titular defendia apoio a Ilde Taques (Podemos), eleito presidente para o biênio 2027/2028 com os votos dos 27 vereadores.
O suplente afirmou que sua aproximação com Paula e com o prefeito Abilio Brunini (PL) ocorreu em razão do atendimento de demandas de bairros onde atua no movimento comunitário. De acordo com ele, três bairros foram contemplados, o que pesou na decisão de permanecer no grupo.
“O desejo meu era estar do lado da Paula Calil”, afirmou. Apesar disso, Lemes confirmou que votou em Ilde Taques na eleição da Mesa Diretora, assim como os outros 26 parlamentares.
Ele também explicou que a mudança de posicionamento, após aparecer em uma foto com o grupo de Paula e declarar apoio a Ilde no dia seguinte, foi uma tentativa de conseguir um período de descanso diante das cobranças que antecederam a eleição.
Segundo Lemes, Jefferson alegou ter sofrido prejuízos políticos com a situação e passou a cobrar sua saída da Câmara.
“Ele não tem direito nenhum de fazer eu renunciar, mas, por bom senso, eu vou abrir o espaço novamente para ele”, disse.
No requerimento encaminhado a Paula Calil, Lemes informou que deixaria o cargo por motivos particulares e solicitou que a renúncia tenha efeito a partir de 19 de outubro. No documento, declarou que a decisão foi tomada de forma “livre, consciente e espontânea”.
Durante a entrevista, o suplente afirmou que o acordo político previa sua permanência até 17 de novembro. Ele lamentou deixar a Câmara antes do prazo e disse que ainda poderia atender outras demandas das comunidades.
Apesar das divergências, Lemes afirmou que pretende manter o diálogo com Jefferson e os demais vereadores. “Não quero quebrar a ponte com o vereador Jefferson. Quero continuar conversando com ele”, declarou.
