O ex-prefeito de Pontes e Lacerda (a 443 km de Cuiabá) e candidato a deputado estadual, Alcino Pereira Barcelos (PL), alvo de uma operação do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), afirmou que o dinheiro apreendido em sua casa durante as buscas “não é sujo” e questionou a realização da ação durante o período eleitoral.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Barcelos negou ter cometido irregularidades e levantou suspeitas sobre o momento escolhido para a operação, deflagrada nesta sexta-feira (25). Segundo ele, a ação ocorreu enquanto estava fora da cidade.
“Estava em uma agenda em Mirassol D’Oeste e hoje cedo a polícia foi na minha casa, faltando 10 dias para a eleição. Estamos entre terceiro e quarto lugar, nas pesquisas. Por que não foram antes? Para não dar tempo de se defender? É isso que me deixa triste com esse país. Estão usando a Justiça para fazer injustiça”, afirmou.
Sobre o dinheiro localizado durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, o ex-prefeito disse que os valores estavam guardados em seu quarto e não haviam sido escondidos.
“O dinheiro que eu tenho em casa estava no meu quarto, não estava escondido. Se fosse dinheiro sujo não estaria lá”, declarou.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) informou que ainda não há um balanço sobre o valor apreendido na residência de Barcelos.
Investigação
A operação investiga supostas irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Pontes e Lacerda entre 2017 e 2024. O Naco identificou sete contratos entre a administração municipal e a empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda.
Cinco desses contratos foram firmados entre 2022 e 2023 e somaram aproximadamente R$ 4,7 milhões. Com atualização monetária, o montante chega a cerca de R$ 5,7 milhões.
De acordo com a investigação, também foram identificados possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e pessoas ligadas às empresas envolvidas.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) teriam apontado movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.
Outro ponto citado na apuração envolve a compra da propriedade rural Estância Rancho Fundo I por Alcino.
Segundo os investigadores, a negociação previa o pagamento da propriedade mediante a entrega de 100 cabeças de gado da raça Nelore. A apuração aponta que não foram encontrados registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação.
Medidas judiciais
As medidas autorizadas pela Justiça incluem mandados de busca e apreensão, acesso a dados telemáticos, quebra dos sigilos bancário, fiscal e financeiro dos investigados, além da indisponibilidade de bens, direitos e valores.
A ação conta com apoio da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado (CGE).
Barcelos ainda não apresentou detalhes sobre a origem do dinheiro apreendido nem informou qual será a estratégia de defesa diante das suspeitas investigadas pelo Ministério Público.
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