O empresário Márcio Rabello Mesquita Theodoro, irmão da empresária Thatiana Rabello Mesquita Theodoro, presa nesta terça-feira (25) durante a Operação Bóreas, já havia sido detido pela Polícia Federal em 2025 por suspeita de envolvimento com tráfico internacional de drogas.
Márcio foi preso por agentes federais em uma pista de pouso em Marianópolis, no Tocantins, enquanto estava acompanhado de outros quatro suspeitos. Dentro da aeronave usada pelo grupo, os policiais encontraram aproximadamente 450 quilos de cocaína.
Mais de um ano depois, Thatiana, que é sócia e administradora do Tatu Bola Bar, em Cuiabá, também foi presa pela Polícia Federal, desta vez no âmbito de uma investigação sobre uma organização criminosa especializada na logística aérea para transporte internacional de drogas e armas.
Até o momento, as autoridades não divulgaram qual seria a participação específica da empresária no esquema investigado pela Operação Bóreas. Também não há informação oficial que estabeleça relação entre a prisão dela e o caso envolvendo o irmão.
Acusação contra o empresário
Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), Márcio teria se associado a outros quatro homens — Lindomar Rodrigues Coelho, Antônio Júnior Silva Ferreira, Rogério Alves da Silva e Onace Delmondes Bezerra — para atuar no tráfico internacional de drogas entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025.
A acusação aponta que o grupo teria realizado pelo menos três operações de transporte aéreo de entorpecentes em fevereiro de 2025, nos dias 10, 19 e 23. Márcio seria responsável por pilotar a aeronave utilizada nas ações.
Conforme o MPF, a cocaína era trazida do exterior e posteriormente encaminhada pelos demais integrantes para outros estados, principalmente Goiás e Bahia.
A estrutura investigada também contaria com equipamentos de comunicação via satélite, utilizados para definir as rotas dos voos. Dados obtidos pelos investigadores indicaram que Márcio teria realizado deslocamentos por uma extensa área do território brasileiro, além de regiões da Bolívia e do Paraguai.
Um dos elementos apresentados na denúncia é o registro do GPS da aeronave apreendida. O flight log de 21 de janeiro de 2025 indicaria um voo realizado anteriormente na Bolívia, o que, segundo o MPF, reforçaria a suspeita de que a cocaína era trazida ao Brasil por uma rota próxima à fronteira com Mato Grosso.
Prisões e nova operação
Márcio e os demais denunciados permanecem presos no Tocantins, com exceção de João Muniz Soares Júnior, que estava foragido.
A situação de João Muniz voltou a ser considerada nas investigações após a Operação Bóreas, que teve três prisões preventivas decretadas. Além de Thatiana, um dos principais alvos foi Matheus Matias de Oliveira. A identidade do terceiro preso ainda não foi divulgada oficialmente.
Até o momento, não há confirmação de que o terceiro alvo seja João Muniz.
Thatiana foi presa em Cuiabá e, após passar pela Superintendência da Polícia Federal, foi encaminhada para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto.
A Operação Bóreas investiga uma organização suspeita de estruturar voos, disponibilizar aeronaves, utilizar pistas clandestinas e fornecer suporte logístico para o transporte de grandes carregamentos de cocaína e armas, com origem na Bolívia e no Peru.
Além das prisões, a Justiça Federal determinou buscas, apreensão de aeronaves e bloqueio e sequestro de bens e valores dos investigados. A PF também solicitou a inclusão de dez alvos nos mecanismos de Difusão Vermelha da Interpol.
Apesar da coincidência entre os nomes e do vínculo familiar, a Polícia Federal ainda não informou se existe conexão entre a atuação atribuída a Márcio e a investigação que levou à prisão de Thatiana. A participação individual da empresária deverá ser esclarecida no decorrer das apurações.
