O vereador licenciado Rogerinho da Dakar (PL) deixará a presidência do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande (7 km de Cuiabá) pouco mais de uma semana após a divulgação de um vídeo em que aparece recebendo maços de dinheiro. A saída foi definida pela prefeita Flávia Moretti (PL), e o secretário-adjunto de Serviços Públicos, José Carlos Andrade, é apontado como o principal nome para assumir o comando da autarquia.
Rogerinho se reúne com a prefeita nesta terça-feira (18) para formalizar a saída e entregar a “chave” da presidência do DAE. Com a mudança, ele retorna à Câmara Municipal e deve assumir a liderança de Flávia Moretti no Legislativo, função atualmente ocupada pelo vereador Bruno Rios.
José Carlos Andrade é considerado próximo da prefeita e já atuou como assessor especial de Moretti. Ele também ocupa atualmente o cargo de secretário-adjunto de Serviços Públicos e é apontado como braço direito da gestora na área.
A troca representa a terceira mudança no comando do DAE durante a gestão de Flávia Moretti. O coronel da reserva Sandro Azambuja iniciou a administração à frente da autarquia, mas deixou o cargo em abril de 2025, quando foi substituído por Zilmar Dias. Em março de 2026, Zilmar deixou a presidência para que Rogerinho assumisse o posto.
Vídeo com dinheiro
A saída de Rogerinho ocorre após a divulgação de imagens em que ele aparece sentado diante de uma mesa enquanto recebe um maço de dinheiro de um homem. Na sequência, ele coloca as notas no bolso da calça.
Em outro trecho, uma sacola aparentemente contendo mais dinheiro em espécie é entregue ao então presidente do DAE. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre quando e onde as imagens foram gravadas ou qual seria o contexto da entrega dos valores.
Após a repercussão, Rogerinho afirmou ter sido “pego de surpresa” pela divulgação do material. Ele declarou que é empresário há anos e que já realizou diversas transações comerciais. Também levantou a possibilidade de motivação política e disse estar disposto a colocar seu sigilo bancário e o de sua família à disposição para esclarecer a situação.
Inicialmente, Flávia Moretti havia descartado a demissão do presidente do DAE. Após conversar com Rogerinho, a prefeita afirmou ter compreendido as explicações apresentadas por ele e disse que adotaria “providências administrativas”.
MP recomenda apuração e avalia afastamento
A mudança ocorre no mesmo momento em que o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) recomendou à Prefeitura de Várzea Grande a abertura de procedimento administrativo para apurar a conduta de Rogerinho.
A 1ª Promotoria de Justiça Cível também orientou o município a avaliar a necessidade de afastamento do gestor durante as investigações. O procedimento foi instaurado para verificar a origem dos valores recebidos por Rogerinho e se o dinheiro possui relação com o exercício do cargo, recursos públicos ou interesses de terceiros ligados ao DAE.
Segundo o MP, caso sejam constatadas irregularidades, os fatos podem configurar infrações administrativas, atos de improbidade administrativa e até crimes contra a administração pública.
A Promotoria também analisou um áudio atribuído a Rogerinho no qual ele teria pedido apoio de membros e servidores da Câmara Municipal para justificar o episódio registrado nas imagens.
O MP citou ainda outra investigação envolvendo o DAE, relacionada a possíveis irregularidades no pagamento de produtividade a servidores e a um suposto desvio de recursos públicos.
A Prefeitura terá prazo de 10 dias para informar ao Ministério Público quais providências foram adotadas e apresentar documentos que comprovem o cumprimento da recomendação. As informações reunidas no inquérito também foram encaminhadas à Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), para conhecimento e eventual adoção das medidas cabíveis.
A recomendação, contudo, não representa conclusão sobre eventual responsabilidade de Rogerinho, que ainda deverá ser apurada no decorrer das investigações.
