sexta-feira, 31 de julho de 2026
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REPLAY

Justiça mantém presos advogada, “Gordão”, Alex Soldado e ex-assessor de vereador em operação contra facção

Audiência de custódia homologou as prisões dos investigados por integrar esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tesoureiro W.T

A juíza Henriqueta Fernanda C. A. F. Lima, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, homologou, nesta quinta-feira (31), os mandados de prisão cumpridos na Operação Replay e manteve presos a advogada Dayane Karol Moreira da Silva, Emerson Ferreira Lima, conhecido como “Gordão”, Alex Júnior Santos de Alencar, o “Alex Soldado”, e Brunno Passos da Silva, ex-assessor parlamentar do vereador licenciado Jefferson Siqueira (PSD).

Os quatro são investigados por integrar um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado à facção criminosa comandada pelo tesoureiro Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “W.T.”.

Durante a audiência de custódia, a defesa da advogada Dayane pediu a substituição da prisão preventiva por domiciliar, sob o argumento de que ela é mãe de uma criança de 8 anos e responsável por seus cuidados. Os advogados também questionaram a legalidade das buscas realizadas durante a operação e apontaram supostas violações às prerrogativas da advocacia.

A magistrada, no entanto, entendeu que esses pedidos deverão ser analisados pela juíza responsável pelo processo. Ela determinou apenas que o sistema penitenciário assegure à advogada o recolhimento em local compatível com sua condição profissional, até nova deliberação.

Já a defesa de Alex Soldado solicitou a revogação da prisão preventiva, alegando que ele possui residência fixa, exerce atividade lícita como jogador do Operário de Várzea Grande e é pai de duas crianças pequenas.

Os advogados de Brunno Passos e de Emerson Ferreira Lima pediram acesso aos autos e habilitação no processo. Assim como nos demais casos, os requerimentos não foram analisados na audiência de custódia, já que a juíza considerou que cabe à magistrada responsável pela investigação decidir sobre a manutenção ou eventual revogação das prisões.

Operação Replay

A Operação Replay é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra e foi deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) para desarticular o núcleo financeiro de uma facção criminosa.

De acordo com a Polícia Civil, a advogada Dayane Karol Moreira da Silva utilizava sua atuação profissional para ocultar patrimônio milionário vinculado a W.T. Segundo o delegado Victor Hugo Caetano, do GCCO, ela atuava como procuradora de imóveis registrados em nome de terceiros em Itapema (SC), conferindo aparência de legalidade a bens adquiridos com recursos do crime organizado.

Alex Soldado foi apontado como um dos principais homens de confiança de W.T. fora da prisão, sendo responsável por auxiliar na lavagem de dinheiro e em outras atividades da organização criminosa.

Já Emerson Ferreira Lima, o “Gordão”, era, segundo as investigações, o principal operador financeiro do tesoureiro da facção.

Brunno Passos da Silva, ex-assessor do vereador licenciado Jefferson Siqueira (PSD), também foi preso durante a operação e acabou exonerado do cargo pela Câmara Municipal de Cuiabá.

As investigações apontam que Paulo Witer Farias Paelo continuava comandando o esquema criminoso de dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), utilizando aparelhos celulares para determinar a compra de imóveis e veículos, ocultação de patrimônio, movimentações financeiras e até a prática de crimes em benefício da facção.

Ao todo, a Operação Replay cumpriu 55 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande, Rio de Janeiro (RJ), Itapema (SC), Balneário Camboriú (SC) e Camboriú (SC). Entre as medidas executadas estão mandados de prisão, busca e apreensão, além do sequestro de nove imóveis e seis veículos.

Segundo a Polícia Civil, cerca de R$ 20 milhões em patrimônio foram bloqueados. Entre os bens sequestrados estão três imóveis de alto padrão em Santa Catarina, incluindo um apartamento de frente para o mar em Balneário Camboriú e uma residência em condomínio de luxo, avaliados em aproximadamente R$ 6 milhões.

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