terça-feira, 16 de junho de 2026
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DEU NO METRÓPOLES

Deputado é delatado por executivos e acusado de receber R$ 30 milhões em propina

Ex-prefeito de Sinop teria recebido dinheiro para quitar dívidas de campanha e uma BMW em troca de benefícios à concessionária de saneamento

O deputado federal Juarez Costa (Republicanos) foi delatado por ex-executivos da Aegea, empresa líder no setor privado de saneamento básico no país, sob acusação de receber cerca de R$ 30 milhões em propina e um veículo BMW quando era prefeito de Sinop. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (16) pelo portal Metrópoles.

As delações foram firmadas entre 2020 e 2021 e homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2025, sob relatoria do ministro Mauro Campbell.

Segundo o ex-presidente da Aegea, Hamilton Amadeo, os pagamentos ocorreram ao longo de vários anos e se estenderam até 2018. Conforme o relato, os recursos seriam destinados ao pagamento de dívidas de campanha de Juarez. O executivo também afirmou que o então prefeito solicitou uma BMW em 2014 como parte dos repasses ilícitos.

Em troca, de acordo com a delação, Juarez teria promovido alterações em regras e leis municipais para beneficiar a empresa.

O ex-diretor financeiro da companhia, Flávio Crivellari, confirmou os relatos e afirmou que o veículo custou R$ 330 mil na época. Segundo ele, o carro foi adquirido por intermédio do operador Eduardo Valdívia, consultor terceirizado da concessionária.

Outros ex-executivos também apontaram o parlamentar como destinatário de propina. Entre eles estão Felipe Bueno Marcondes Ferraz, Mário Roberto Amorim Baltar e Fernanda Bassanesi.

Ferraz afirmou ter operado um suposto esquema de caixa dois para Juarez a partir de 2015. Segundo ele, intermediários retiravam dinheiro em espécie na sede da Aegea, em São Paulo, além de receber valores em Cuiabá e em Balneário Camboriú (SC).

Conforme o depoimento, apenas em entregas realizadas em Balneário Camboriú foram repassados R$ 1,2 milhão ao então prefeito.

A delação também cita a Operação Sorrelfa, deflagrada pelo Ministério Público Estadual em 2016 para apurar supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a gestão municipal.

Segundo Ferraz, uma empresa contratada pela Aegea teria recebido pagamentos com sobrepreço de 20%, percentual que seria destinado ao esquema. Pelos cálculos apresentados pelo ex-executivo, os valores destinados a Juarez poderiam chegar a R$ 4,7 milhões.

Outra frente da investigação aponta que postos de combustíveis em Sinop teriam sido utilizados para mascarar repasses destinados ao então prefeito. Conforme os delatores, compras fictícias de combustível foram usadas para justificar transferências superiores a R$ 3 milhões.

A reportagem tentou contato com Juarez Costa, mas não houve manifestação até a publicação desta matéria.

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