A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) negou, por meio de nota, que a professora Luciene Naves, de 51 anos, tenha acionado o botão do pânico ou qualquer outra força de segurança no dia em que foi assassinada pelo ex-marido, Paulo Bispo, de 63 anos. A declaração confronta o desabafo das filhas da vítima, que afirmaram que a mãe buscou socorro antes de ser morta.
Em entrevista recente, as filhas de Luciene, Emilly e Etieny Naves Correia, denunciaram uma suposta omissão do Estado. Segundo elas, a mãe teria acionado o dispositivo de segurança por duas vezes e mostrado mensagens de ameaça à polícia, sem que o agressor fosse preso. “A primeira pessoa que a matou foi a Justiça”, desabafou uma das filhas, relatando que Paulo mentia estar doente para evitar a prisão.
O histórico de falhas
A nota da Sesp detalha o histórico da vítima no sistema de segurança. Conforme a pasta, Luciene possuía medidas protetivas vigentes desde agosto de 2025. Em outubro do mesmo ano, ela chegou a acionar o botão do pânico após ser ameaçada. Na ocasião, policiais militares foram ao local, mas apenas a orientaram a registrar um novo boletim de ocorrência por descumprimento de medida.
Mesmo após a Polícia Civil comunicar o descumprimento ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, a resposta institucional foi branda: o assassino recebeu apenas uma advertência formal. A Justiça não incluiu Luciene no acompanhamento direto pela Patrulha Maria da Penha, mantendo apenas o dispositivo eletrônico como proteção.
Caso
No dia da tragédia, a Sesp afirma que não houve registros no Ciosp (190) ou pelo botão do pânico partindo da vítima. A Patrulha Maria da Penha só teria sido acionada por terceiros, quando o feminicídio já havia sido consumado. Paulo invadiu a casa da professora após cortar a energia e a executou com dois tiros, sendo morto em seguida por um policial à paisana durante a fuga.
O caso segue sob investigação, agora sob forte pressão popular e críticas sobre a eficácia das medidas de proteção à mulher em Mato Grosso.
